O Cruzeiro não exibiu a logomarca da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) no uniforme usado contra o Bahia, na noite dessa quinta-feira (5/11), no Mineirão. A mudança ocorreu um dia após o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) atender a uma representação apresentada pelo governador eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), e determinar medidas relacionadas ao patrocínio de empresas estatais a clubes de futebol do estado.
Na partida, o espaço destinado à marca permaneceu sem identificação. No confronto anterior, diante do Atlético, a Cemig ainda aparecia na parte frontal da camisa cruzeirense, entre o escudo do clube e o símbolo da fornecedora de material esportivo. A retirada, portanto, foi percebida já no compromisso seguinte da equipe, contra o Bahia.
A decisão do TCE-MG foi publicada na terça-feira (4/11), depois que Cleitinho questionou o acordo firmado entre empresas públicas mineiras e Cruzeiro, Atlético e América. Na representação, o governador eleito argumentou que uma ação de patrocínio dessa natureza deveria apresentar justificativas ligadas ao fortalecimento da marca da Cemig. Segundo os argumentos levados ao tribunal, essa finalidade não teria sido comprovada no processo.
O pedido também apontou a falta de estudos que demonstrassem a viabilidade do contrato, o retorno institucional esperado para as empresas envolvidas e a relação entre os valores investidos e os benefícios que poderiam ser obtidos. Outro questionamento apresentado foi a escolha restrita aos três clubes da capital mineira.
De acordo com a representação, a seleção exclusiva de Cruzeiro, Atlético e América poderia entrar em conflito com princípios como impessoalidade e isonomia. Esses foram alguns dos aspectos analisados no processo que resultou na decisão do tribunal e antecedeu a ausência da marca da Cemig na camisa celeste diante do Bahia.
Acordo previa R$ 32 milhões para clubes mineiros
O patrocínio havia sido anunciado em 29 de setembro pelo então governador em exercício, Mateus Simões (PSD). Na ocasião, ele apresentou o acordo como uma forma de auxílio a Cruzeiro, Atlético e América, que teriam sofrido impactos após uma Medida Provisória do governo federal encerrar a publicidade de empresas de apostas esportivas, conhecidas como bets, no país.
A proposta previa que empresas estatais de Minas Gerais estampassem suas marcas nos uniformes dos clubes ao longo de uma temporada. O montante total anunciado era de R$ 32 milhões, distribuído de maneira diferente entre as equipes: Cruzeiro e Atlético receberiam R$ 15 milhões cada, enquanto o América teria direito a R$ 2 milhões.
Além da Cemig, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) também participaria da exposição das marcas. Antes da retirada observada no jogo contra o Bahia, o Atlético havia entrado em campo com o logotipo da Cemig em sua camisa nas partidas anteriores.
Cleitinho criticou a utilização de recursos de empresas estatais para financiar o patrocínio. O governador eleito afirmou que Minas Gerais atravessava um período de transição e que o próprio governo teria indicado a possibilidade de dificuldades para pagar os servidores a partir de janeiro. Ele também citou problemas relacionados à merenda escolar e questionou a destinação de mais de R$ 30 milhões para os clubes por meio da Cemig e da Codemig enquanto essas dificuldades eram mencionadas.
Clube tinha contrato superior a R$ 43 milhões com a Betnacional
Antes das mudanças envolvendo a publicidade de apostas esportivas, a SAF do Cruzeiro recebia mais de R$ 43 milhões por ano em patrocínio da Betnacional. Com a alteração no cenário das bets e a retirada da marca da Cemig do uniforme diante do Bahia, o clube continua contando com outros anunciantes em sua camisa e em demais espaços comerciais.
Entre as marcas atualmente vinculadas ao Cruzeiro estão Adidas, Supermercados BH, Cimed, Vilma Alimentos, Perdigão na Brasa, Kodilar, Omo, Neutrox, Rexona, Zé Delivery e Maturatta Friboi.
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