O Cruzeiro atravessa carências relevantes em ao menos três setores do elenco, consequências diretas de saídas recentes e de uma sequência de imprevistos médicos. A derrota para o Botafogo, ocorrida no último domingo, evidenciou as limitações do grupo à disposição do técnico Artur Jorge e indicou que o time ainda precisa evoluir para atender às exigências da temporada. Em entrevista coletiva após a partida, o treinador reconheceu a situação e mencionou a saída de peças importantes, entre elas Gabriel Pec, reforçando a necessidade de ajustes no elenco dentro do atual cenário de mercado.
“Queremos aumentar as nossas expectativas. Temos que, na realidade, reforçar porque perdemos jogadores importantes. E o caso do Pec é um jogador que contratamos e não tivemos mais do que 70 minutos de utilização dele. Precisamos olhar para dentro”, citou Artur Jorge. A diretoria, por seu turno, mantém a orientação de buscar soluções dentro da realidade vigente, com a janela de transferências aberta até o dia 11 de setembro.
Carência no meio-campo e busca por um substituto para Lucas Romero
Desde o início de 2024, o setor de criação e contenção do meio-campo vem acumulando carências não sanadas. A reserva imediata de Lucas Romero não está consolidada: Walace foi afastado e acabou sendo negociado; Ryan Guilherme foi vendido ao Rio Ave-POR ainda em janeiro. Sem um substituto imediato para o titular, Matheus Henrique vem atuando com frequência como primeiro volante. A chegada recente de Zé Lucas, vindo do Sport, pode contribuir, mas o jovem volante ainda precisa de adaptação e não é visto como um “cabeça de área” clássico. Internamente, havia expectativa de que a diretoria contratasse um primeiro volante mais físico e experiente, o que ainda não ocorreu, ampliando a percepção de fragilidade nesse eixo do time.
Ausência de opção confiável para a função de camisa 10
Outro ponto de atenção é a falta de uma reserva clara para Matheus Pereira. Desde o início do ano, esse tipo de jogador não existe no elenco, e não foi colocado como prioridade nas negociações de mercado. Hoje, Artur Jorge recorre a Bruno Rodrigues — atacante que atua como substituto do camisa 10 em momentos de ajuste tático —, enquanto Rhuan Gabriel e Marquinhos, da equipe sub-20, aparecem como opções na posição, mas ainda não são considerados prontos pela comissão técnica. Esse cenário evidencia uma lacuna criativa e de organização ofensiva, que pode comprometer alternativas com maior leitura de jogo e de cenário durante as partidas.
Gabriel Pec: lesão grave, desempenho aquém do esperado e busca por opções pelos lados
Paralelamente, a saída de Christian, negociado ao Krasnodar-RUS, intensificou a necessidade de reposição pela ponta direita. O Cruzeiro contratou Gabriel Pec, do LA Galaxy-EUA, e chegou a explorar a contratação de Wesley, do Al-Nassr-SAU, em negociação próxima do fechamento, mas o atleta optou pelo Corinthians. Pec chegou como solução para o setor, porém teve uma atuação inicial frustrante: atuou apenas 62 minutos antes de sofrer uma lesão grave — fratura na tíbia da perna esquerda — durante a vitória sobre o Internacional, na quinta-feira anterior ao jogo contra o Botafogo, o que o deixará afastado dos gramados por meses. O investimento na contratação ficou em cerca de R$ 61 milhões, destacando o peso da perda técnica provocada pela indisponibilidade do jogador.
Lesões recentes e perspectiva de longo prazo
A situação se agravou com o retorno de um antigo problema físico: Luis Sinisterra voltou a sentir a coxa durante a derrota para o Botafogo e, nas primeiras avaliações, deverá ficar afastado por um período prolongado. Com Pec fora, o técnico Artur Jorge passa a depender de soluções pontuais nas pontas, como Keny Arroyo, além de Kaique Kenji e Rayan Lelis, da base, e de jogadores já citados como Wanderson, Bruno Rodrigues e Marquinhos. A mudança no conjunto de substituições tem peso direto no desempenho coletivo, que já era monitorado pela comissão técnica ao longo da temporada.
Plano inicial e a necessidade de uma sombra para Kaio Jorge
O planejamento do clube desde o início do ano previa Kaio Jorge como titular, com Chico da Costa e Néiser Villarreal como substitutos imediatos. No entanto, o colombiano continua em processo de adaptação, enquanto Villarreal não atingiu o desempenho esperado. Chico era visto como opção mais física, especialmente para ações de bolas aéreas, mas não rendeu gols e acabou liberado em negociação com o Sport, envolvendo a venda de Zé Lucas. Hoje, o Cruzeiro não dispõe de uma sombra de peso para Kaio Jorge, que oscila ao longo da temporada, o que aumenta a pressão para que a diretoria busque, no mercado, um jogador capaz de exercer esse papel com regularidade. Diante desse cenário, o clube mantém a busca por soluções, consciente de que o calendário impõe urgência e pode exigir contratações rápidas e eficazes antes do fechamento da janela de transferências.
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