Diversos artistas que integrariam a programação de shows de Ed Sheeran, 35 anos, decidiram abandonar a turnê do cantor britânico após a retirada do rapper Macklemore, 43 anos, devido às suas manifestações públicas em apoio à Palestina. A decisão foi confirmada pela revista Rolling Stone e reflete o impacto de posicionamentos políticos de artistas envolvidos na turnê, que está em andamento nos Estados Unidos.
Entre os músicos que optaram por se retirar estão Finneas, 29 anos, que anunciou sua saída das apresentações previstas para o final de novembro e início de dezembro. O artista justificou sua decisão afirmando que defensores de causas justas não devem ser silenciados e expressou seu apoio ao povo palestino, declarando: “Decidi me retirar das minhas próximas datas de turnê com Ed Sheeran. Estou com a Palestina e seu povo”.
Além de Finneas, outros nomes também deixaram de participar das apresentações remanescentes. O cantor dinamarquês Lukas Graham, de 37 anos, e o irlandês Aaron Rowe, de 26 anos, abandonaram os shows nos Estados Unidos. A banda irlandesa Beoga, que integraria o espetáculo principal, também optou por não participar de parte do evento, alegando questões relacionadas ao silêncio imposto às vozes contrárias à guerra em Gaza.
A saída de Macklemore, que ocorreu na segunda-feira, 14 de novembro, foi um dos fatores desencadeantes dessas desistências. O rapper foi removido da turnê após se manifestar publicamente em defesa dos palestinos durante shows realizados em Nova Jersey, no MetLife Stadium. Em uma dessas apresentações, Macklemore gritou “Palestina livre”, exibiu imagens da destruição em Gaza e cantou “Hind’s Hall”, uma música que aborda protestos pró-Palestina na Universidade Columbia.
Segundo relatos, a retirada do artista foi motivada por pressões externas, incluindo a de Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium e do time de futebol americano New England Patriots. Kraft teria liderado a iniciativa de excluir Macklemore dos eventos, alegando que o rapper havia exibido material considerado ofensivo à comunidade judaica, além de suas declarações anteriores com retórica e imagens antissemitas. Macklemore afirmou que o proprietário do estádio teria feito um ultimato: permanecer na turnê significaria não poder usar os estádios de propriedade de Kraft.
Ed Sheeran declarou que a decisão de retirar Macklemore não partiu dele, mas sim da promotora Messina Touring Group, que alegou pressões dos locais de apresentação. Em comunicado divulgado pelo artista em sua conta oficial no Instagram, Sheeran explicou que tentou mediar a situação e buscar uma solução, mas não obteve sucesso. Ele afirmou ainda que tentou construir pontes e encontrar uma saída adequada, porém, sem êxito, tendo que aceitar a decisão de cancelar a participação de Macklemore na turnê.
A controvérsia evidencia o impacto de posicionamentos políticos de artistas no âmbito de eventos culturais, especialmente em um momento de tensões internacionais envolvendo o conflito entre Israel e Gaza. A saída de Macklemore e a desistência de outros artistas reforçam o clima de polarização que tem marcado o cenário artístico e musical, refletindo o peso das manifestações públicas em decisões relacionadas à participação em eventos de grande porte.












