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Atlético completa 10 anos da “Glória Eterna”

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Quem acompanhou, do estádio ou pela TV, guarda na memória imagens dignas de roteiro de filme, carregadas de emoção, drama e, no fim, celebração histórica. A conquista da Libertadores de 2013 pelo Atlético completa 10 anos nesta segunda-feira. De grandes personagens, como Ronaldinho e Victor, a momentos inesquecíveis, relembre fatos marcantes.

Na estreia, contra o São Paulo, o primeiro gol atleticano teve Ronaldinho Gaúcho como protagonista, mais do que Jô, que balançou as redes. Uma jogada rápida, de inteligência, com um pouco de malandragem.

Era um lateral para o Galo. Jogo parado. R10 caminhou lentamente para a área tricolor. Pediu um gole d’água ao goleiro Rogério Ceni. Assim que terminou de beber, o árbitro Marcelo de Lima Henrique autorizou o recomeço do jogo.

Desatenta, a defesa do São Paulo não viu o camisa 10. Marcos Rocha, então, cobrou o lateral para o astro atleticano, totalmente livre na área. Não há impedimento em cobrança de lateral. Gol de Jô. Foi a arrancada para o título da Libertadores.

Ronaldinho foi um maestro do Galo na campanha. Porém, na segunda rodada, o torcedor alvinegro temeu, por alguns instantes, a continuidade do craque na competição.

Isso porque o zagueiro Diego Braghieri, do Arsenal-ARG, deu uma voadora criminosa na canela do meia dentro da área, cometendo pênalti. Ronaldinho se recuperou. Cobrou a penalidade, mas desperdiçou o lance. Não fez falta. O Galo goleou por 5 a 2.

O Atlético foi a La Paz encarar o The Strongest. Na véspera da partida, surge Ronaldinho “Boliviano”, em um típico “rolé aleatório do R10”. O camisa 10 recebeu uma homenagem do governo da cidade. Vestido com poncho e gorro tradicionais do país, ele ainda foi presenteado com um barco artesanal e uma flauta.

O Galo voltou a encarar o Arsenal. Outra goleada por 5 a 2. Mas as imagens que correram o mundo foram da Polícia Militar no gramado com armas na mão. Alguns jogadores da equipe argentina causaram uma tremenda confusão com os policiais.

O conflito começou no campo e seguiu na área dos vestiários. A delegação do Arsenal foi parar na delegacia, onde passou a madrugada. Alguns atletas foram indiciados por desacato e lesão corporal, além de multados. A diretoria do Atlético emprestou o montante para que os argentinos fossem liberados.

Já classificado, o Atlético perdeu para o São Paulo, por 2 a 0, na rodada final da fase de grupos. O Tricolor acabou sendo o rival do Galo nas oitavas. Veio o troco alvinegro: vitória por 2 a 1, no Morumbi. e triunfo por 4 a 1 no Independência, com direito a show de Ronaldinho. Ao final da partida, o ídolo atleticano disparou, provocando os são-paulinos: “Quando tá valendo, tá valendo.”

Era para ser uma “noite de terror” para o Tijuana-MEX, com máscaras do pânico espalhadas pela torcida do Atlético. Mas aquela noite ganhou um tom dramático. E no fim, épico. Um pênalti marcado já no fim do jogo colocou a classificação do Galo em risco.

O colombiano Riascos foi para a cobrança. Aos 48 minutos do segundo tempo, Victor fez a defesa com o pé esquerdo. O Milagre do Horto. Emblemático para a campanha.

O Independência foi a casa do Atlético até as semifinais. Palco de emoções. Não foi diferente na semifinal contra o Newell’s Old Boys. O Galo precisava devolver o 2 a 0 para decidir a vaga nos pênaltis. Abriu o placar no começo, mas o segundo gol não saía.

Por volta dos 30 minutos da etapa final, caiu a energia no estádio. Mais tensão. A falha na iluminação de uma parte dos refletores mudou a história da partida, na opinião de jogadores e comissão técnica. Depois da pausa, o Atlético chegou ao segundo gol, com Guilherme, aos 50 minutos. Nos pênaltis, o Galo avançou.

Como não poderia ser diferente naquela campanha, a decisão com o Olimpia-PAR foi dramática. Uma derrota por 2 a 0 na ida obrigava o Atlético, mais uma vez, a devolver o placar para ir aos pênaltis.

Depois de fazer 1 a 0, já na etapa final, o Galo, milhares de atleticanos no Mineirão e milhões pela TV, ficaram paralisados vendo o atacante Ferreyra, livre, driblar Victor e ficar com o gol totalmente aberto. Seria o gol do título do Olimpia. Seria. Mas Ferreyra, incrivelmente, escorregou no gramado na hora da finalização. O Atlético seguia vivo. Ao som de “Eu acredito”.

Reta final do jogo decisivo com o Olimpia. Faltava um gol. E ele veio aos 41 minutos. Dois cruzamentos na área. No primeiro, Leonardo Silva caiu e pede pênalti. A jogada segue. No segundo, Bernard levanta a bola. Desta vez, o zagueiro cabeceia. A bola sobe e vai lentamente para as redes. O sonho do título começava a virar realidade.

O ato final foi a disputa por pênaltis. Victor defendeu a primeira cobrança. A cada batida, o Atlético se aproximava da taça. Restaram Giménez e Ronaldinho. Se o paraguaio marcasse, ficaria nos pés do craque a cobrança final (diz a lenda que ele daria uma cavadinha). Mas Giménez carimbou a trave. O torcedor do Galo soltou o grito de campeão.