Max deixa o Japão com 113
pontos de vantagem sobre o companheiro Sergio Pérez, novo
vice-líder. É apenas um ponto a mais do que os 112 restantes em
disputa. A Fórmula 1 segue para o GP dos Estados Unidos, em Austin,
no dia 23 de outubro.
O segundo título do holandês
foi confirmado justo no palco em que ele fez sua estreia na F1, em
2014. Com apenas 17 anos, Verstappen tornou-se o mais jovem da
história a participar da categoria quando
guiou o carro da STR – atual AlphaTauri – no TL1 em Suzuka.
Com o triunfo em Suzuka,
Verstappen entra para um seleto grupo de bicampeões consecutivos na
F1. O holandês da RBR agora faz companhia a Lewis Hamilton,
Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Michael Schumacher, Mika
Hakkinen, Ayrton Senna, Alain Prost, Jack Brabham, Juan Manuel
Fangio e Alberto Ascari.
Mesmo na maior
temporada da F1 de todos os tempos, com 22 corridas, Max Verstappen
conseguiu fazer ainda mais história. Ao conquistar seu bicampeonato
mundial com quatro corridas de antecipação, o holandês registrou a
terceira maior antecedência nos 72 anos da categoria. Ele se iguala
à campanha do bi de Sebastian Vettel, em 2011.
Nada que atrapalhasse
o holandês, porém, que deu show dentro da pista: foi ameaçado por
Charles Leclerc apenas na largada, quando dividiu as duas primeiras
curvas. Depois, sumiu na liderança da prova. Esteve em primeiro em
todas as voltas menos uma, quando fez o pit stop para trocar os
pneus de chuva forte para os intermediários. Enfim, uma corrida
perfeita. Um título merecido coroado com uma atuação de gala
debaixo d’água em Suzuka neste domingo.
12 vitórias em 18
provas. 366 pontos em 484 disputados, com um aproveitamento de
75,6%. Tudo isso depois de um início complicado, com dois abandonos
por problemas mecânicos nas três primeiras corridas. Depois disso,
um campeonato perfeito, sem erros de Verstappen ou da equipe Red
Bull. Vitórias absolutamente dominadoras como em Imola ou na
Bélgica. Ou ainda trabalhando melhor e contando com os (muitos)
erros de estratégia da Ferrari, que na primeira parte do ano chegou
a ter um carro mais rápido que o da RBR, mas não conseguiu
aproveitar isso na pista. Verstappen e a equipe austríaca
trabalharam em uma sintonia incrível em 2022 e foram recompensados
com mais um título do Mundial de Pilotos. E nas próximas corridas
deve vir o Mundial de Construtores, que a Red Bull não vence desde
2013, há nove anos. Falta muito pouco.
Neste domingo, em
Suzuka, Verstappen abriu uma absurda vantagem de mais de 26
segundos sobre Leclerc, o segundo colocado, quando a corrida foi
retomada. Os dois até trocaram voltas mais rápidas quando voltaram
dos boxes com pneus intermediários novos, mas logo o holandês abriu
larga vantagem, enquanto o monegasco começava a ter de lidar com o
desgaste dos compostos. Com isso, começou a ser ameaçado por Sergio
Pérez, segundo piloto da RBR. O mexicano se aproximou bastante nas
últimas voltas, tentou algumas vezes a ultrapassagem, mas acabou
por induzir Leclerc ao erro na última volta, na última curva, na
chicane Triangle: o piloto da Ferrari passou reto, voltou
espremendo Pérez e acabou punido com o acréscimo de cinco segundos
no tempo final de prova. O penalty, anunciado em tempo recorde,
durante a entrevista oficial dos três primeiros colocados, antes da
cerimônia do pódio, foi o suficiente para que o holandês
assegurasse o bicampeonato com quatro corridas de antecipação.
Pérez, com isso, subiu para segundo, garantindo a dobradinha da Red
Bull na casa da Honda.
A vitória e o
bicampeonato em Suzuka fizeram com que Verstappen entrasse em um
seleto clube entre os campeões do mundo da Fórmula 1. O holandês se
tornou apenas o quarto piloto a levar o título com quatro ou mais
corridas de antecedência em uma temporada, se juntando ao alemão
Michael Schumacher (2002, 6 GPs; 2001, 4 GPs; e 2004, 4 GPs), ao
inglês Nigel Mansell (1992, 5 GPs) e ao alemão Sebastian Vettel
(2011, 4 GPs). E não é só isso: com a 12ª vitória em 2022,
Verstappen está a apenas uma de igualar o recorde de mais vitórias
em apenas um campeonato, que pertence a Vettel (2013) e Schumacher
(2004), com 13 cada um. O holandês tem mais quatro GPs para isso:
EUA, México, Brasil e Abu Dhabi.
Não dá para contestar
um título com números assim. Max Verstappen é, sem dúvidas, um dos
pilotos mais talentosos que já surgiram na história da Fórmula 1.
Faltava maturidade. A temporada 2022 e a forma como ele lidou com
os desafios que lhe foram propostos, principalmente na primeira
parte do ano, quando teve de lidar com os problemas mecânicos do
RB18 e com um carro que não era o melhor do grid até então – fato
que mudou depois das férias de verão da categoria – mostraram que
ele evoluiu demais no lado psicológico do ano passado para cá.
Mesmo saindo muito atrás no campeonato, o holandês não perdeu o
equilíbrio em momento algum e soube trabalhar bem com a equipe para
recuperar terreno e se aproveitar dos erros e problemas da Ferrari.
Sem dúvidas, o título deste ano tem a assinatura de Verstappen. E a
marca do domínio.