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Globo promove reestruturação de alta direção e reforça estratégia de recuperação de espaço no mercado de entretenimento

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Imagem: Renan Martins Frade/UOL

A Globo confirmou nesta sexta-feira uma reestruturação em seu quadro executivo, marcada pela saída de dois de seus principais diretores, Manuel Belmar e Pedro Garcia. A movimentação ocorre em um momento de ajustes estratégicos na empresa, que busca recuperar sua posição de liderança no mercado de mídia e entretenimento, especialmente após episódios que evidenciaram dificuldades na transmissão de eventos esportivos de grande porte.

Manuel Belmar, que ocupava os cargos de diretor de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura, e Pedro Garcia, responsável pelos Direitos Esportivos, deixam suas funções em um processo de transição que, segundo a própria Globo, foi planejado há pelo menos dois anos. Belmar, cuja saída está prevista para ocorrer no primeiro trimestre de 2027, já havia comunicado sua intenção de encerrar sua jornada executiva, conforme informações internas, o que reforça a natureza planejada da mudança. A decisão de abrir mão dos direitos exclusivos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 foi um dos fatores que contribuíram para a saída desses executivos, embora a Globo tenha esclarecido que a reestruturação não esteja relacionada diretamente à compra dos direitos do Mundial.

A saída de Belmar e Garcia evidencia uma resposta da emissora às críticas internas e externas relacionadas ao seu desempenho na transmissão de eventos esportivos. Nos últimos anos, a Globo enfrentou dificuldades ao não exibir todas as partidas do Mundial da FIFA, o que permitiu o crescimento de plataformas alternativas, como a Cazé TV, e prejudicou sua imagem de detentora exclusiva dos principais eventos esportivos. A decisão de não exibir toda a competição foi vista como um erro estratégico, que contribuiu para a perda de audiência para o streaming e para concorrentes, além de expor fragilidades na sua estratégia de conteúdo esportivo.

A reestruturação também envia um recado aos funcionários do alto escalão da Globo: erros estratégicos que comprometam a imagem e a liderança da empresa podem ser considerados fatais. A mudança faz parte de um esforço maior de reposicionamento, visando fortalecer a marca e reconquistar o espaço que a Globo ocupou por décadas como a principal fonte de entretenimento para o público brasileiro. Nos últimos anos, essa posição foi gradualmente sendo deixada de lado, parcialmente devido a cortes de gastos promovidos por Belmar, que impactaram áreas estratégicas da companhia.

Em nota oficial, a Globo afirmou que o processo de reestruturação faz parte de uma estratégia maior de alinhamento às novas diretrizes corporativas. A empresa destacou ainda que a saída de Manuel Belmar, cuja gestão se estenderá até o início de 2027, não tem relação com os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026. O comunicado reforça que a decisão de renegociar a compra dos direitos do evento foi tomada pelo Conselho de Administração do Grupo, de forma independente, como parte de procedimentos de deliberação de grande porte.

O presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, reforçou a importância da nova estrutura organizacional para o alinhamento da estratégia da empresa e destacou que a decisão de Belmar de deixar a companhia foi compartilhada há anos e faz parte de um processo de transição planejado. Marinho também repudiou as especulações que circulam sobre o tema, afirmando que as movimentações foram exclusivamente determinadas pelo Conselho de Administração. Ele também agradeceu publicamente a liderança e contribuição de Belmar, Pedro Garcia e Manuel Falcão, diretor de Marca e Comunicação, reconhecendo seu impacto na trajetória de transformação do grupo ao longo das últimas duas décadas.