As bilheterias de filmes nos Estados Unidos durante o verão de 2023 atingiram um total de US$ 4,6 bilhões em vendas domésticas, representando o melhor desempenho na temporada desde 2013, conforme dados divulgados pela empresa de medição Rentrak e reportados pela Reuters. Este valor reflete um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando uma significativa retomada do setor após anos marcados por desafios, incluindo a pandemia de COVID-19 e as recentes greves de roteiristas e atores.
O montante alcançado neste verão é particularmente relevante ao se comparar com o recorde histórico ajustado pela inflação, que foi de US$ 6,8 bilhões em 2013. Especialistas estimam que a bilheteria doméstica possa atingir até US$ 10 bilhões ao longo de 2023, um patamar que não era alcançado desde 2019, antes do impacto da pandemia, conforme afirma Paul Dergarabedian, responsável por tendências de mercado na Rentrak. Este crescimento é atribuído, em parte, ao sucesso de filmes dirigidos por nomes de destaque, que não fazem parte de franquias tradicionais, contribuindo para uma diversificação no perfil de lançamentos que atraem o público.
Filmes de grande apelo artístico e de diretores renomados tiveram desempenho expressivo. “Odisseia”, de Christopher Nolan, por exemplo, está próximo de atingir US$ 1,6 bilhão mundialmente, consolidando-se como um dos títulos de maior sucesso do período. Além disso, produções de terror criadas por jovens cineastas também superaram expectativas de bilheteria. “Backrooms”, da distribuidora A24 e dirigido pelo youtuber Kane Parsons, de 21 anos, arrecadou cerca de US$ 394,1 milhões globalmente com um orçamento de apenas US$ 10 milhões. Outro exemplo é “Obsession”, de Curry Barker, de 26 anos, que passou de US$ 500 milhões em receita mundial.
A participação do público jovem, especialmente da Geração Z, foi apontada como fator central para o crescimento das bilheterias. Dados da Cinema United indicam que essa faixa etária frequentou cinemas em média 6,1 vezes em 2023, aumento em relação às 4,9 visitas registradas em 2022. Essa renovação do público, aliada ao aumento do uso de telas de grande formato, também contribuiu para o bom desempenho do setor. Um exemplo foi o recorde mensal da IMAX em julho, com US$ 257 milhões em vendas globais de ingressos, impulsionado por filmes como “Odisseia”.
No entanto, o setor ainda enfrenta desafios relacionados ao desempenho de franquias tradicionais. Alguns títulos de grande nome tiveram resultados abaixo do esperado, embora outros tenham se destacado. “Homem-Aranha: Nova Era”, da Sony Pictures, arrecadou US$ 2,34 bilhões mundialmente, figurando entre as maiores bilheterias da história sem ajuste por inflação. Por outro lado, produções como “Star Wars: The Mandalorian and Grogu” e “Supergirl”, da Warner Bros. e DC Studios, obtiveram receitas de US$ 345,4 milhões e US$ 126,4 milhões, respectivamente, demonstrando uma recuperação desigual.
O número de lançamentos em grande circuito ainda não atingiu os níveis pré-pandemia, embora tenha aumentado em relação a 2022. Este verão contou com 34 estreias de grande porte, acima do total de 2022, mas ainda distante das 44 de 2019, refletindo a fase de recuperação do setor após os impactos da COVID-19 e das greves de 2023. Ainda assim, a expectativa é de que os lançamentos de grandes produções, como “Vingadores: Apocalipse” e “Duna: Parte Três”, previstos para dezembro, mantenham o ritmo de crescimento até o final do ano, sustentando a recuperação do mercado cinematográfico nos Estados Unidos.












