O cantor e ator Fiuk abriu suas experiências pessoais ao afirmar, nesta terça-feira (25 de agosto), que suspeita ter Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele revelou que, há alguns anos, iniciou uma investigação para descobrir se possuía o transtorno, mas interrompeu o processo por medo de como um eventual diagnóstico poderia alterar a percepção das pessoas ao seu redor. Segundo o artista, a decisão de não prosseguir foi motivada pelo receio de ser julgado ou tratado de forma diferente, o que, na época, o levou a evitar uma confirmação formal.
Fiuk explicou que a suspeita surgiu a partir de características que passou a identificar em si mesmo ao longo do tempo. Apesar de ter iniciado uma avaliação médica, ele optou por não concluir o diagnóstico, temendo o impacto social de uma possível confirmação. “Eu descobri de uns anos para cá que, possivelmente, eu sou do espectro autista. Ainda não tive coragem de fazer o diagnóstico. Eu comecei, mas não terminei. Porque eu tinha medo das pessoas me olharem diferente”, disse.
O artista também compartilhou que, com o passar dos anos, as pessoas com quem tinha receio de ser diferente já não fazem mais parte de sua vida, o que contribuiu para sua decisão de tornar pública sua suspeita. Ele destacou que essa revelação veio acompanhada de uma reflexão sobre sua infância e sua trajetória profissional. Para Fiuk, a forma como aprendeu a se comportar socialmente — incluindo a atuação — pode ter sido uma estratégia de adaptação às expectativas externas. “Eu acho que aprendi a atuar porque eu tinha que me comportar normalmente desde criança”, afirmou, relacionando sua experiência de interpretar personagens com a necessidade de se encaixar socialmente.
Durante o relato, Fiuk também comentou as dificuldades que enfrentava para expressar pensamentos e sentimentos dentro do ambiente familiar. Ele revelou que, em certas ocasiões, era questionado por aquilo que dizia, o que dificultava sua comunicação. “Eu não podia falar o que eu estava pensando direito, senão eu era considerado louco, mesmo dentro de casa”, afirmou, destacando a pressão social e familiar que sentia na infância.
Ao refletir sobre sua trajetória, o artista ressaltou a importância da atuação em sua vida, entendendo-a como uma ferramenta de enfrentamento e expressão. Ele afirmou que, atualmente, compreende melhor suas escolhas profissionais e o motivo pelo qual se identificou com a carreira artística. “Hoje eu entendo por que eu protagonizei novelas das principais emissoras do país. Hoje eu entendo por que eu me identifico com a atuação, que sempre me ajudou muito”, declarou.
No encerramento, Fiuk dirigiu uma mensagem a pessoas que também se sentem deslocadas ou incompreendidas, incentivando-as a compartilhar suas experiências e a não tentarem se encaixar em moldes que não representam sua essência. Ele reforçou a importância de ser autêntico e de buscar apoio ao falar sobre suas dificuldades. “Você que se sente sozinho, você que foi contestado a vida inteira, que duvidaram de você a vida inteira, se abre comigo. Me manda uma mensagem, porque só de falar, você vai tirar peso de você. Não tenta parecer o que você não é para se encaixar em algum lugar. Seja você”, concluiu.












