Na Conferência de CEOs do Lithium Business 2026, executivos
afirmaram que o país possui vantagens competitivas para escalar
produção e ampliar participação na cadeia global do lítio.
“Não basta dizer que uma operação é sustentável. É preciso
comprovar isso com dados, mostrando desempenho ambiental
consistente”, afirmou Daniel Abdo, Vice-
presidente de Relações Internacionais e Desenvolvimento de Negócios
da Sigma Lithium.
O Brasil reúne vantagens competitivas para se consolidar como um
dos principais produtores mundiais de lítio, mas precisa avançar em
segurança jurídica, políticas públicas e agregação de valor para
transformar sua vantagem geológica em liderança industrial. Essa
foi a avaliação entre executivos das principais empresas do setor
durante a Conferência de CEOs do Lithium Business 2026, realizada
em Salinas, Minas Gerais.
Além do potencial geológico brasileiro, os executivos destacaram a
qualidade dos projetos, a matriz energética renovável, os baixos
custos de produção e a crescente preocupação mundial com segurança
no fornecimento de minerais estratégicos para a transição
energética.
Frederick Gay principal analista da Benchmark Mineral Intelligence,
moderador do painel afirmou que a indústria do lítio vive uma nova
fase após a volatilidade dos últimos anos.
“Vivemos um momento decisivo para a indústria global do lítio.
Depois de um período de forte volatilidade, o setor passa a buscar
equilíbrio entre oferta e demanda, competitividade, inovação e
sustentabilidade. A questão central é como o Brasil pode
transformar sua extraordinária vantagem geológica em liderança
industrial”, afirmou.
Mercado prioriza qualidade e
confiabilidade
Para o vice-presidente de Relações Internacionais e Desenvolvimento
de Negócios da Sigma Lithium, Daniel Abdo, o mercado deixou de
priorizar apenas expansão de oferta e voltou a valorizar
fundamentos sólidos dos projetos.
“O mercado voltou a focar no que realmente faz diferença:
qualidade dos recursos, eficiência operacional, disciplina
financeira e consistência na entrega dos produtos”,
afirmou.
Segundo ele, a demanda estrutural continua sustentada pelo
crescimento dos veículos elétricos, sistemas de armazenamento de
energia e data centers, enquanto compradores passaram a exigir
maior rastreabilidade e confiabilidade.
“Os grandes vencedores serão aqueles capazes de entregar
competitividade, sustentabilidade e confiabilidade. O Brasil está
muito bem posicionado para liderar esse movimento.”
“Não há necessidade de reinventar a roda. Todos podem aprender
com as experiências já acumuladas pelas empresas que vieram
antes.”
Na avaliação do executivo, sustentabilidade também precisa ser
demonstrada por indicadores concretos.
“Não basta dizer que uma operação é sustentável. É preciso
comprovar isso com dados, mostrando desempenho ambiental
consistente.”
Competitividade brasileira é consenso
O CEO da CBL, Vinícius Alvarenga, afirmou que o Brasil já ocupa uma
das posições mais competitivas do mundo em custos de produção e tem
potencial para ampliar significativamente sua participação no
mercado internacional.
“O Brasil está entre os menores custos de produção do mundo. Os
projetos que foram implantados são economicamente sustentáveis e
vieram para ficar.”
Segundo ele, a produção nacional pode alcançar entre 1 milhão e 1,5
milhão de toneladas anuais de concentrado nos próximos cinco a dez
anos.
Alvarenga defendeu que o debate sobre mineração seja separado da
discussão sobre verticalização da cadeia produtiva.
“A mineração de lítio no Brasil já é um caso de sucesso. O
desafio de ampliar a cadeia de valor é outro e depende de políticas
públicas específicas.”
O executivo também rebateu críticas de que a produção de
concentrado teria baixo valor agregado.
“Nós multiplicamos em mais de cinquenta vezes o valor do
minério extraído antes de comercializá-lo. Precisamos superar a
ideia de que produzir concentrado significa fazer apenas
extrativismo.”
Segurança jurídica preocupa setor
Embora reconheçam avanços da proposta que institui a Política
Nacional de Minerais Críticos (PL 2.780), os executivos
demonstraram preocupação com dispositivos que podem aumentar a
insegurança para investidores.
A diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS
Brasil, Marisa Cesar, afirmou que o Projeto de Lei em discussão no
Congresso Nacional traz instrumentos importantes para estimular
investimentos, como incentivos fiscais e mecanismos voltados à
descarbonização, mas alertou para pontos que ainda geram
incertezas.
“O projeto tem aspectos muito positivos, mas alguns
dispositivos podem aumentar a imprevisibilidade para os
investidores. Segurança jurídica continua sendo um fator decisivo
para a atração de capital.”
Segundo ela, a verticalização da cadeia depende não apenas de
recursos naturais, mas também de competitividade econômica e
desenvolvimento tecnológico.
“O Brasil já domina etapas importantes do processamento do
concentrado de lítio, mas avançar para outras fases do refino exige
políticas públicas capazes de tornar esses investimentos
economicamente viáveis.”
Fabiano Costa, presidente da AMG Brasil, fez
avaliação semelhante.
“Temos know-how, capacidade técnica, mão de obra,
competitividade e interesse em agregar valor. O que ainda falta é
demanda para justificar esses investimentos.”
Costa lembrou que a elevada capacidade ociosa existente na China
dificulta a instalação de novas plantas de processamento em outros
países.
“Hoje, competir com a capacidade instalada chinesa é um enorme
desafio. Por isso, qualquer estratégia de verticalização precisa
ser construída com muita responsabilidade.”
Cooperação e licença social
Outro ponto de consenso entre os participantes foi a necessidade de
ampliar a cooperação entre as empresas instaladas no Vale do
Jequitinhonha.
Para Vinícius Alvarenga, o crescimento conjunto fortalece toda a
cadeia produtiva.
“Não interessa a ninguém o fracasso de outro projeto. Quanto mais
empresas produzirem, maior será nossa capacidade de atrair
fornecedores, reduzir custos e desenvolver a economia
regional.”
Fabiano Costa também defendeu maior integração entre os
produtores.
“A competição entre nós é infinitamente menor do que a
capacidade de cooperação. É assim que vamos ampliar nossa
relevância no cenário internacional.”
Marisa Cesar destacou que o sucesso dos projetos depende da
construção de confiança junto às comunidades.
“A licença social é estratégica. Nosso trabalho vai além da
mineração; envolve desenvolvimento socioeconômico, diálogo
permanente e construção de confiança com as comunidades.”
Perspectivas positivas
Apesar dos desafios regulatórios e das discussões sobre agregação
de valor, os executivos encerraram o debate demonstrando confiança
no futuro da indústria de lítio no Brasil.
Para Daniel Abdo, o país reúne condições únicas para aproveitar o
novo ciclo da indústria.
“Temos recursos naturais de alta qualidade, matriz energética
limpa e projetos com escala industrial. O Brasil se preparou para o
que está por vir.”
Vinícius Alvarenga reforçou o otimismo.
“Temos um futuro muito promissor. Os projetos anunciados vão
acontecer e o Brasil tem todas as condições para se consolidar
entre os principais produtores mundiais de lítio.”












