NORD Research

Finanças: IPO vira Mico

Postado em 16/09/2019 2:00

Cheirinho de bull market no ar

A “oportunidade de uma vida” da semana

E eis que, depois de uma década, sentimos novamente o cheirinho de bull market no ar.

Infelizmente eu não estava no último, mas bastam cinco minutos de conversa com o Ricardo para imaginar como foi período entre 2004 e 2007.

Era uma farra de IPOs, com novas empresas — das quais a maioria dos investidores nunca havia ouvido falar — vindo a mercado semana após semana.

Todas tinham algo em comum: belíssimas histórias e juras de pés juntos, por parte dos bankers, de que se tratavam da próxima grande tacada da Bolsa.

Era pegar ou largar. E o pequeno investidor, naquele frenesi de ficar rico rápido, não negava nenhuma oferta. Até mesmo porque todos tinham como líquido e certo que a Ação escolhida subiria infinitamente, fazendo de seus compradores os próximos milionários do mercado.

Era uma nova oportunidade de uma vida a cada semana. Ou mais.

Parecia bom demais para ser verdade.

Um balanço do passado

Avaliando alguns casos isolados, o sonho virou mesmo realidade. Por exemplo: o valor de mercado da Localiza multiplicou, desde seu debut na bolsa, em 52x — sim, cinquenta e duas vezes. Porto Seguro, 18x; Natura, 15x; Energisa, 84x; Vulcabrás, 15x; Equatorial, 13x.

Por outro lado… outras empresas simplesmente micaram. A lista é imensa, e inclui todas as empresas do Grupo X, diversas incorporadoras, animais exóticos como Agrenco, Laep e tantas outras.

Um estudo do pessoal da Versa Asset (um abraço, Luiz Fernando!) mostra a performance de todos os IPOs entre 2004 e 2007. Peço licença para recorrer a ele.

Das 127 ações que foram objeto de oferta pública no período, apenas 67 continuam sendo negociadas. Ou seja: 47 por cento das empresas que foram ao mercado naquela época sumiram — seja porque quebraram, porque foram compradas, etc.

Calma: ainda fica pior. Destas 67, somente 27 se valorizaram mais do que o CDI no período.

Moral da história: na época, tudo parecia um oba oba… mas o tempo tratou de separar o joio do trigo.

Em fundos não é diferente

O ativo muda, mas os problemas continuam sendo os mesmos: aconteceu a mesma coisa com a indústria de fundos de investimento.

À medida que o mercado sobe, parece que nasce uma nova gestora a cada esquina. Todos os nomes de bairros chiques do eixo Rio-SP. Panteões grego e romano também já foram devidamente raspados.

Todas vêm ao mercado com histórias lindas, times com track record vencedor, discursos de partnership de verdade… e, invariavelmente, se valem da euforia de mercado para captar bilhões em curtíssimas janelas de tempo.

Mas, assim como nas Ações, a maioria delas não sobrevive ao teste do tempo: dá para contar nos dedos quantos fundos com mais de 15 anos existem no mercado.

Uma apuração rápida mostra que, dentre as gestoras nascidas no ciclo de 2004 e 2007, por volta de 250 não existem mais. Simplesmente sumiram: ou trocaram de gestor, ou se fundiram umas com as outras… ou fecharam as portas.

Enquanto isso… você teve Dynamo, Verde, IP, Fama e mais meia dúzia, que não só sobreviveram, mas multiplicaram o dinheiro dos seus cotistas por dezenas ou até centenas de vezes.

De novo, o mais importante é saber em quais cavalos apostar.

A história vai se repetir

Se eu tenho uma certeza é de que essa história vai se repetir.

Com o mercado subindo bastante, tudo volta a acontecer naturalmente.

As empresas novamente virão ao mercado de capitais. Os banqueiros vão, novamente, contar belas histórias sobre as novas promessas da bolsa.

Os distribuidores, munidos de maravilhosas performances de 12 meses, dirão que esses gestores são os novos gênios do mercado e que você não pode ficar de fora dessa.

Será, de novo, uma oportunidade imperdível atrás da outra.

Mas é aquela velha história: da mesma forma que a maioria das empresas ficará pelo caminho, grande parte dos novos gênios morrerá na praia.

E levará consigo pedaços relevantes dos patrimônios dos mais desavisados.

No Nord Fundos, nós gastamos muito tempo e sola de sapato para identificar quem serão os grandes vencedores desse movimento.

Queremos preparar você para se blindar da euforia e identificar somente o que realmente tem valor.

Queremos os sobreviventes. Queremos os melhores.

Um abraço,

Luiz

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

Postado originalmente por: Nord Research

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