Love, Death & Robots: animação
adulta mostra que Netflix ainda consegue inovar
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Atualizado
em:26 de março de 2019
20:45
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Apesar de já possuir produções
originais animadas muito populares, como Knights of Cydonia
(primeiro anime original do serviço de streaming), Bojack Horseman
e Big Mouth, além dos mais recentes reboots de She-Ra e Carmen
Sandiego, ainda há espaço para inovação. O formato de antologia
(cada episódio com uma história independente) e os temas
intimamente ligados à tecnologia aproximam a produção de sua
vizinha de Netflix, Black Mirror. A diferença é que os estilos
de animação dão um ar muito mais caricato, distanciando o público
da nossa própria realidade e caindo mais no campo da ficção. Isso
definitivamente não pesa contra a série, que consegue viajar entre
diversos subgêneros de ficção científica de forma satisfatória, com
uma forte tendência a conteúdos NSFW (insinuações sexuais e
violência explícita, principalmente).
(Deadpool) e David Fincher (Seven),
Love, Death & Robots “engana” por não parecer tão profunda. Nenhum
episódio passa dos 20 minutos de duração (alguns têm menos de 10
min), o que dificulta a imersão em cada universo, então a série
optou por deixar na mão do assinante a reflexão para cada história.
Vários dos curtas possuem final aberto à interpretação e, em vez de
uma solução preguiçosa, esta é uma escolha feita para instigar a
participação do espectador. Quase nada é muito explicado, o que é
ótimo para algo que propõe agilidade na hora de assistir. Como são
vários gêneros para serem assistidos sequencialmente, pode ser que
a falta de continuidade pese negativamente para quem não está muito
concentrado. Porém, ainda assim, a subversão de alguns temas é
muito interessante. Um episódio, por exemplo, é como um Clube da
Luta (também de Fincher) futurista, com os lutadores conectados
mentalmente a bestas assassinas; outro começa como um conto
oriental de época e evolui rapidamente para uma China steampunk; e
outro é uma versão rápida e mais tensa de Gravidade (aquele com
Sandra Bullock).
É difícil julgar a série por
roteiro, fotografia, atuação ou direção, porque são muitas (muitas
mesmo) pessoas envolvidas: foram utilizadas equipes de animação de
vários países, passando dos clássicos desenhos 2D para
inacreditáveis técnicas de CGI. Os estilos, inclusive, trazem
Love, Death & Robotspara próximo
dos games. Em vez de ter todo o trabalho de conhecer os comandos e
passar das missões, no entanto, a série
da Neftflix apenas exige do espectador que assista a algo
que parece uma coleção de cutscenes divertidas.
Cada capítulo tem pitadas de amor, morte ou robôs (como já entrega
o nome), e a forma como esses elementos estão interligados é outro
atrativo. O amor não é, necessariamente o amor romântico (pode ser
o amor de um senhor pelo seu cachorro, por exemplo) e a morte pode
não ser a morte em si, mas o seu conceito e discussões sobre o
valor da vida e o que acontece depois que ela acaba. Já os robôs
são o símbolo da tecnologia, de como o ser humano seria capaz lidar
com ela (muito Black Mirror). Junte tudo isso com um
humor ácido e uma boa dose de pessimismo quanto às nossas
perspectivas e criou-se uma boa série – nem todos os episódios são
nota 10, mas a média de qualidade certamente é positiva.