Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
aquele que ela mais amava. E ela deixou entrever um sorriso e
respondeu:
“Nada é mais volúvel que um coração de mãe”. E, como mãe, lhe
respondeu: o filho predileto, aquele a quem me dedico de corpo e
alma é…
O meu filho doente, até que sare
O que partiu, até que volte
O que está cansado, até que descanse
O que está com fome, até que se alimente
O que está com sede, até que beba
O que está estudando, até que aprenda
O que está nu, até que se vista
O que não trabalha, até que se empregue
O que namora, até que se case
O que casa, até que conviva
O que é pai, até que os crie
O que prometeu, até que cumpra
O que chora, até que cale
E já com o semblante bem distante daquele sorriso completou:
O que me deixou, até que o reencontre.
Certa noite eu quis falar com Jesus, mas Ele me disse:
– Agora estou muito ocupado.
– É urgente!, eu disse, trata-se de minha mãe!
– Calma … agora não posso, respondeu Ele suavemente.
Entre chocado e desapontado eu bradei:
– Está bem ! Com quem posso falar então?!?
– Comigo, mas não agora que estou tão ocupado.
Eu, doente e febril, tive que me conformar e aguardar o momento
“certo” para falar com Ele.
Sozinho, naquela cidade estranha, tudo que eu queria era o abraço
de minha mãe, naquele momento tão distante de mim.
A febre deve ter se elevado tanto, que adormeci. Tive sonhos
confusos e agitados, onde eu me via sendo envolvido pelos braços
amorosos de minha mãe.
Quando acordei, ensopado de suor, eu me sentia maravilhosamente
bem. Tinha desaparecido a febre e toda aquela sensação de
abandono.
Lembrei-me que havia chamado por Jesus, mas não sabia exatamente se
fora um delírio ou se Ele falara comigo realmente.
Arrisquei, sentindo-me patético, a chamá-Lo de novo:
– Senhor! Agora é possível só responder-me a uma pergunta?
Para minha surpresa, eu ouvi:
– Sim. O que você quer?
– Era só para saber se realmente falei com o Senhor. Agora não
quero mais nada. Já estou bem. Quando O chamei, eu ia pedir-Lhe que
me trouxesse minha mãe, mas o Senhor estava muito ocupado para
atender ao meu chamado. Sonhei com ela e isso foi o bastante para
curar-me.
– Sim, eu estava muito ocupado, atendendo alguém que tinha mais
urgência do que você: Eu estava escutando sua Mãe que me pedia para
levá-la até aí.












