Quando menino eu vivia brigando com Beto, meu melhor amigo Beto.
Um dia, quando corri para casa e procurei mamãe para queixar-me.
Ela me ouviu e disse o seguinte:
– Vai buscar a sua balança e os blocos.
– Mas, o que tem isso a ver com o Beto?
– Você verá… Vamos fazer uma brincadeira. Primeiro vamos colocar
neste prato da balança um bloco para representar cada defeito do
Beto. Conte-me quais são.
– Fui relacionando-os e certo número de blocos foi empilhado
daquele lado.
– Você não tem nada mais a dizer? Eu não tinha e ela propôs: Então
você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será
um bloco no outro prato da balança. Ele não deixa você andar em sua
bicicleta? Não reparte o seu doce com você? Ela foi colocando os
blocos do outro lado. De repente eu percebi que a balança
balançava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do Beto.
Dei uma risada e mamãe observou:
Você gosta do Beto e ficou alegre por verificar que as suas boas
qualidades ultrapassam os seus defeitos. Isso sempre acontece,
conforme você mesmo vai verificar ao longo de sua vida.
E de fato. Através dos anos aquele pequeno incidente de
pesagem tem exercido importante influência sobre meus julgamentos.
Antes de criticar uma pessoa, lembro-me daquela balança e comparo
seus pontos bons com os maus. E, felizmente, quase sempre há uma
vantagem compensadora, o que fortalece em muito a minha confiança
nas pessoas.
Ouça a mensagem do dia com João Bosco, seu namoradinho do Rádio:











