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Xi Jinping afirma que conflito no Oriente Médio não atende aos interesses globais durante cúpula do Brics

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Durante a cúpula do Brics realizada neste sábado (12), em Nova Délhi, na Índia, o presidente da China, Xi Jinping, destacou que a guerra no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, não serve aos interesses comuns do planeta. A declaração reforça a posição de Pequim em um momento de crescente tensão na região, onde conflitos e disputas marítimas têm provocado instabilidade e preocupações internacionais. O encontro, que se estende por dois dias, reúne líderes globais de destaque, incluindo o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o presidente russo, Vladimir Putin, e o mandatário iraniano, Masud Pezeshkian. O Brasil é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece em campanha eleitoral, sem participar do evento presencialmente.

As tensões na região do Oriente Médio agravaram-se após a tomada do Estreito de Bab el-Mandeb por rebeldes houthis do Iêmen, grupo pró-iraniano. Essa passagem marítima, que conecta o oceano Índico ao mar Vermelho, é uma rota estratégica para cargas destinadas à Europa, e sua ocupação representa um fator de instabilidade adicional. A situação se complica ainda mais devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, na extremidade oposta da Península Arábica, controlado pelo Irã, que mantém a restrição como parte de sua estratégia de pressão contra adversários ocidentais, principalmente os Estados Unidos e seus aliados árabes.

Diante desse cenário, a Índia, que busca equilibrar suas relações com o Irã e os Estados Unidos, decidiu adquirir petróleo russo com autorização dos americanos, numa tentativa de garantir o abastecimento energético em meio ao aumento da tensão. Essa estratégia, associada à escalada do conflito e ao bloqueio marítimo, fez com que os preços do petróleo ultrapassassem a marca de 100 dólares por barril nesta semana, um valor considerado simbólico e preocupante para a economia global.

No discurso durante a cúpula, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, adotou tom mais duro contra Washington, especialmente em relação às disputas pelo controle do Estreito de Ormuz. Ele afirmou que Teerã passou a cobrar taxas por “serviços marítimos” na região, reforçando a postura de que a segurança e a integridade territorial do Irã e de seus aliados devem ser garantidas pelos próprios países da região, sem a presença de forças policiais externas. Essa declaração evidencia a crescente resistência do Irã às pressões ocidentais e sua intenção de fortalecer sua influência marítima.

Após os discursos, os 11 membros do Brics divulgaram uma declaração conjunta na qual pediram “máxima prudência” para evitar a ampliação do conflito no Oriente Médio. O grupo também condenou ataques intencionais contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas, protegidas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Com uma participação que representa aproximadamente 40% do PIB mundial e mais de 25% do comércio global, o bloco busca ampliar sua influência na segurança energética e explorar alternativas às instituições internacionais dominadas por potências ocidentais.

Outro ponto de destaque na cúpula foi o debate sobre o papel econômico da China, especialmente no contexto das relações comerciais com parceiros do Brics, como a Índia. Xi Jinping reforçou a posição do país ao afirmar que os membros do grupo devem rejeitar o protecionismo e apoiar o sistema multilateral de comércio, centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A visita de Xi à Índia marca sua primeira viagem ao país desde 2019, após o confronto militar ocorrido em 2020 na fronteira do Himalaia, uma das disputas mais tensas entre as duas nações nas últimas décadas. Durante a reunião, Xi e Modi buscaram avançar na normalização das relações bilaterais, em um processo considerado lento, mas importante para a estabilidade regional e para o fortalecimento do diálogo entre as duas maiores economias asiáticas.