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O que você sabe sobre o Rio Itapecerica? (fotos)

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O Rio Itapecerica é um curso de água de grande importância para a região centro-oeste de Minas Gerais, tanto do ponto de vista ambiental quanto do abastecimento público. “Sua nascente está no município de Itapecerica, no Morro do Calado, o primeiro nome que ele recebe é Rio Vermelho e na junção entre os Rios Gama e Santo Antônio, passa a ser conhecido como Rio Itapecerica”.

Este rio percorre cerca de 123 quilômetros, passando por três municípios: Itapecerica, São Sebastião do Oeste e Divinópolis. Em Divinópolis, ele desempenha um papel fundamental, percorrendo um perímetro de 29 quilômetros que abrange tanto áreas urbanas quanto rurais. Seus principais afluentes na cidade são o Ribeirão Boa Vista, Córrego Buriti, Córrego do Paiol, Córrego do Neném e Córrego Catalão.

O Rio Itapecerica é característico do bioma Cerrado, sofrendo cheias e secas naturais conforme a estação do ano. Sua fauna e flora são bastante peculiares, com algumas espécies de plantas e animais já adaptadas ao ambiente urbano de Divinópolis. “É comum perceber dentro do perímetro urbano alguns animais e plantas que já se habituaram ao funcionamento da cidade”.

Além de sua importância ecológica, o Rio Itapecerica é essencial para o abastecimento de água da região. Em Divinópolis, parte de suas águas é captada e tratada na estação de tratamento de água ETA Itapecerica, contribuindo significativamente para o fornecimento de água potável ao município.

Estudos de vazão realizados pela Universidade Federal de Viçosa e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas indicam que o rio deságua no rio Pará com uma vazão média de aproximadamente 27,5 metros cúbicos por segundo, sendo a vazão mínima medida na foz de cerca de 6,238 metros cúbicos por segundo.

Lenda ou verdade?

Muitos dizem que na beira do rio era possível encontrar jacarés, lontras e até onças, que ainda dizem existir nas regiões onde a mata é fechada. Uma história de terror por trás da região fala da Cachoeira do Caixão, já no encontro do Rio Itapecerica com o Rio Pará, onde os antigos diziam que descia nas águas um caixão à meia-noite, e por isso teve esse nome.

Biodiversidade

No rio, apesar de muito poluído, ainda se encontram várias espécies de peixes, sendo possível visualizar grandes cardumes (veja o vídeo abaixo), cágados (tartarugas), várias espécies de pássaros que passam a noite sobre as árvores que ficam na beira do rio e, principalmente, capivaras.

O Rio Itapecerica, portanto, não é apenas um importante recurso hídrico, mas também um símbolo da conexão entre o meio ambiente e a urbanização, ilustrando como a natureza e a cidade podem coexistir e se beneficiar mutuamente.

História e Tradição

Onde hoje se encontra a ponte do bairro Niterói, havia antigamente um local conhecido como “Praia do Urubu”. Este nome curioso vem de uma época em que a área era bastante frequentada pelos moradores de Divinópolis, especialmente nos domingos, quando se tornava um ponto de encontro popular. Os antigos contam que a praia ficava lotada, com pessoas aproveitando as margens do Rio Itapecerica para se refrescar e socializar.

Além de ser um local de lazer, a Praia do Urubu também tinha uma importância prática significativa. Nas décadas de 1930 e 1940, o local era utilizado pelas lavadeiras, que iam até lá para lavar e “quarar” roupas. Esse processo de “quaragem” envolvia estender as roupas ao sol para branquear e desinfetar, uma prática comum naquela época. A atividade das lavadeiras conferia à praia uma atmosfera movimentada e trabalhadora, adicionando mais uma camada à rica história do Rio Itapecerica e sua interação com a comunidade local.

Veja as fotos: