Até o Rio Itapecerica mudou junto com Divinópolis; entenda por quê. Muito antes de a cidade se tornar a maior do Centro-Oeste de Minas Gerais, o rio era o principal caminho para tropeiros, comerciantes e viajantes que cruzavam a região. Além de dar origem ao primeiro nome do povoado, o rio possuía características que desapareceram ao longo do desenvolvimento urbano. Por isso, confira a seguir como essa transformação aconteceu e o que restou dessa história.
O que você precisa saber sobre a transformação do Rio Itapecerica?
- O nome Itapecerica vem do tupi-guarani e significa “pedra escorregadia”, referência às pedras do antigo leito do rio.
- As pedras da Cachoeira Grande foram removidas em 1911, durante a expansão da Estrada de Ferro Oeste de Minas.
- O rio também abasteceu a Usina Hidrelétrica do Bracinho, com capacidade de cerca de 840 kVA.
- A Praia do Urubu, no bairro Niterói, foi um dos principais pontos de lazer e trabalho das lavadeiras da cidade.
- O Rio Itapecerica atravessa 29 km em área urbana e rural de Divinópolis e abastece cerca de 250 mil pessoas.
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Por que o Rio Itapecerica deu nome à cidade?
No século XVIII, a travessia pela Cachoeira Grande do Itapecerica, trecho que se estendia entre as atuais regiões dos bairros Porto Velho e Esplanada, permitia a passagem de pessoas, animais e mercadorias em direção a Pitangui, São João del-Rei e outras localidades. Consequentemente, naquele ponto existiam diversas pedras afloradas que facilitavam a travessia, característica que originou o nome Itapecerica: “ita” significa pedra, enquanto “pissirica” representa algo molhado ou escorregadio, formando a ideia de “pedra escorregadia”. A facilidade para cruzar o rio contribuiu para que moradores se fixassem na região, dando origem ao arraial que, décadas depois, se transformaria em Divinópolis.
Por que as pedras do rio desapareceram?
Quem observa o Rio Itapecerica atualmente dificilmente imagina que ele já teve um grande conjunto de pedras que marcou a história da cidade. A transformação começou em 1911, durante a expansão da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Portanto, para construir o entroncamento ferroviário que ligaria a região a Belo Horizonte, as pedras da Cachoeira Grande foram removidas e utilizadas nas obras da ferrovia e também na construção da barragem de uma usina hidrelétrica.
Na mesma época, as águas do Itapecerica passaram a abastecer a Usina Hidrelétrica do Bracinho, responsável por fornecer energia para a Vila Operária e para as oficinas da EFOM. Sobretudo por isso, a estrutura possuía capacidade de geração de aproximadamente 840 kVA, transmitindo energia por cerca de três quilômetros. Com essas intervenções, o cenário natural que havia servido de referência para o nascimento da cidade praticamente desapareceu.
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Como o rio já foi espaço de lazer e transporte?
O Rio Itapecerica também desempenhou um papel importante na vida cotidiana dos moradores. Durante décadas, o rio recebeu competições de canoagem e possuía áreas de banho bastante conhecidas, como a tradicional Praia do Urubu. Ainda assim, em alguns trechos, moradores do bairro Porto Velho utilizavam pequenas embarcações para atravessar o rio e chegar ao chamado centro novo de Divinópolis, quando as opções de acesso ainda eram limitadas. Essas lembranças mostram que o Itapecerica já foi muito mais do que um elemento da paisagem: era parte da rotina da população.
Qual é a situação ambiental do Rio Itapecerica hoje?
Apesar de ser um dos maiores patrimônios naturais e históricos de Divinópolis, o Rio Itapecerica sofreu um longo processo de degradação ao longo do século XX. O crescimento urbano trouxe o lançamento de esgoto, resíduos industriais e outros poluentes, comprometendo a qualidade da água e afetando a fauna, a flora e a saúde da população. Segundo o Estado de Minas, análises já registraram índice de oxigenação de 3,9 no rio, abaixo do mínimo recomendado pela Resolução Conama nº 357, além da presença de coliformes fecais em amostras coletadas na área urbana.
Resgatar a história do Rio Itapecerica ajuda a compreender a própria origem de Divinópolis. O rio não apenas deu nome ao primeiro povoado, como também permitiu o surgimento do arraial. Impulsionou o desenvolvimento econômico e participou da expansão ferroviária que transformou a cidade. Hoje, especialistas defendem que a preservação do Itapecerica vai além da questão ambiental. Recuperar sua qualidade significa proteger um patrimônio histórico, cultural e natural que acompanha Divinópolis desde o século XVIII.















