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Estudo europeu relaciona obesidade infantil à redução na fertilidade feminina

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Um estudo recente, publicado na revista científica JAMA Network Open, revela uma associação entre a obesidade na infância e uma menor probabilidade de mulheres se tornarem mães na vida adulta. Conduzido por pesquisadores da Universidade de Copenhague, a pesquisa analisou o histórico de saúde de quase 61 mil mulheres dinamarquesas e aponta que o excesso de peso na infância pode impactar a fertilidade, além de estar ligado a diversas condições de saúde futuras.

A pesquisa reforça a preocupação global com a obesidade infantil, que, segundo dados da UNICEF de 2025, afeta aproximadamente uma em cada dez crianças em todo o mundo. Esse quadro supera índices de desnutrição infantil e apresenta implicações que vão além do aspecto físico, incluindo riscos de doenças como diabetes tipo 2 e possíveis dificuldades reprodutivas na fase adulta.

O estudo avaliou o Índice de Massa Corporal (IMC) de mulheres entre 6 e 15 anos, utilizando registros de Saúde Escolar de Copenhague. Os participantes foram classificados em cinco categorias de IMC: abaixo da média, média, acima da média, sobrepeso e obesidade. Ao todo, 22% das meninas apresentavam IMC abaixo da média, 37% estavam na média, 25% acima da média, 12% com sobrepeso e 4% classificados como obesas. Após essa classificação, os pesquisadores cruzaram esses dados com registros de nascimentos na Dinamarca, verificando quais dessas mulheres tiveram filhos entre 18 e 45 anos, garantindo que todas estivessem vivas, não emigraram e permanecessem no acompanhamento ao longo do estudo.

Os resultados indicaram que mulheres que apresentaram sobrepeso ou obesidade na infância tinham menor chance de engravidar na fase adulta. Essa tendência foi observada após ajustes para variáveis como o nível de educação dos pais e o coorte de nascimento. Especificamente, mulheres entre 25 e 29 anos com histórico de obesidade infantil tinham 22% menos chance de terem filhos do que aquelas com IMC considerado dentro da média na infância. Para o grupo de 30 a 34 anos, esse percentual aumentou para 42%, demonstrando um impacto mais evidente com o avanço da idade.

A principal autora do estudo, Dorthe Pedersen, destacou que os resultados sugerem que padrões de IMC desfavoráveis desde os seis anos de idade podem elevar o risco de infertilidade a partir dos 25 anos. Ela explica que, embora fatores como a idade avançada sejam determinantes na fertilidade, o excesso de peso e a obesidade também podem afetar condições fisiológicas, como a qualidade dos óvulos e o funcionamento hormonal, além de influenciar fatores sociais que dificultam a concepção.

A pesquisa reforça a importância de ações preventivas voltadas ao desenvolvimento infantil saudável, especialmente considerando que atualmente uma em cada quatro crianças na Europa apresenta excesso de peso. Segundo Pedersen, intervenções precoces podem ser essenciais para reduzir os riscos de problemas reprodutivos no futuro, contribuindo para uma melhora na saúde reprodutiva das próximas gerações.