A escalada de violência no Oriente Médio ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (8), após Israel retomar ataques intensos contra o Líbano, mesmo diante de um cessar-fogo considerado frágil por autoridades internacionais. Segundo a Defesa Civil libanesa, ao menos 254 pessoas morreram nos bombardeios mais recentes.
As Forças de Defesa de Israel confirmaram a ofensiva, afirmando ter atingido cerca de 100 alvos em apenas dez minutos, principalmente no sul do país e na capital, Beirute. O governo israelense sustenta que as operações no território libanês não fazem parte do acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã.
A retomada dos ataques provocou reação imediata do Irã, que ameaça romper o cessar-fogo e ampliar sua atuação militar na região. Autoridades iranianas indicaram que Teerã avalia uma resposta em larga escala, acusando Israel de violar os termos do acordo e comprometer os esforços diplomáticos em curso.
Em pronunciamentos divulgados pela imprensa estatal, membros do governo iraniano defenderam medidas mais duras, incluindo a possibilidade de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás mundial. A medida, caso adotada, pode gerar impactos significativos na economia global.
No Líbano, o Ministério da Saúde informou que os ataques atingiram áreas densamente povoadas, deixando também centenas de feridos. Imagens que circulam nas redes sociais mostram prédios destruídos em bairros residenciais da capital. O grupo Hezbollah orientou que moradores deslocados não retornem às suas casas até que haja garantias de segurança.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, criticou duramente as ações israelenses, acusando o país de desrespeitar normas do direito internacional humanitário. Ele também cobrou maior atuação da comunidade internacional para conter a escalada do conflito.
Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, responsável pela mediação do cessar-fogo, fez um apelo público para que todas as partes respeitem o acordo temporário de duas semanas, permitindo o avanço das negociações diplomáticas.
Desde o início da atual fase do conflito, em março, o Líbano contabiliza mais de 1,5 mil mortos e cerca de 4,8 mil feridos. O sistema de saúde do país também foi severamente afetado, com dezenas de unidades atingidas e profissionais mortos. Além disso, mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas.
A continuidade dos ataques e a ameaça de envolvimento direto do Irã aumentam o risco de uma guerra em larga escala no Oriente Médio, elevando a preocupação de líderes globais com a estabilidade da região.














