Enquanto o Brasil entra em campo na fase de grupos da Copa do Mundo, milhões de torcedores nos Estados Unidos acompanham outro evento esportivo: as finais da principal liga de basquete. Para quem vive o cotidiano americano, a disputa pelo título da NBA acaba ocupando mais espaço que o torneio de futebol.
O divinopolitano Leonardo Amaral, que mora nos Estados Unidos há oito anos, acompanha de perto essa diferença cultural. Apaixonado por futebol desde os tempos em Divinópolis, ele conta que, com o passar dos anos, percebeu um distanciamento natural do esporte no cotidiano americano.
Leo Amaral conta que a diferença de clima entre Brasil e Estados Unidos chama atenção principalmente pela falta de mobilização popular às vésperas da Copa do Mundo. “Você vê que aqui nos Estados Unidos o povo americano não é muito fã ou talvez não conheça muito o esporte. São bem desligados. Falta poucos dias para a Copa começar, os Estados Unidos jogam na sexta-feira e eu não vejo comoção nenhuma nas ruas. Não tem outdoor, não tem nada falando de Copa do Mundo”, relata.
Segundo ele, até tradições comuns para brasileiros ficam mais difíceis de serem mantidas fora do país. “Você vai aos shoppings e aqui não tem nada de figurinha. É muito difícil encontrar álbum sem comprar tudo online, porque não tem banca, não tem nada. Eu acho eles bem desligados em questão de Copa, em comparação com o resto do mundo.”
A percepção, segundo Leonardo, se estende também ao ambiente profissional e social. “Tem várias situações aqui que as pessoas que trabalham comigo acho que nem sabem que vai ter Copa. Isso pesa um pouco.”
Mesmo distante do Brasil, ele afirma que ainda sente o clima característico do torneio, embora em menor intensidade. “Tem o friozinho na barriga daquela época de Copa, aquela sensação de assistir jogo o dia inteiro, acordar e dormir falando de jogo. Isso é muito bom. Mas morando aqui eu tive que desligar um pouquinho dessa sensação do futebol.”
Leonardo explica que a paixão pelo esporte se mantém mais viva entre comunidades latinas. “Na comunidade de futebol onde eu moro tem muito cubano e muito venezuelano. Eles gostam, mas Cuba e Venezuela não estão na Copa. Tenho amigos mexicanos animados, mas não é igual ao Brasil.”
Para ele, a diferença cultural fica evidente principalmente durante os jogos. “No Brasil o pessoal pinta rua, vai para bar, reúne amigos e família. Aqui isso não acontece. Até o jogo dos Estados Unidos eu acho que eles não estão tão animados. Estão mais animados com as finais da NBA do que realmente com a Copa do Mundo.”
Além de acompanhar os jogos pela televisão, Leonardo ainda tenta assistir partidas presencialmente. Morando nos Estados Unidos, ele busca ingressos para jogos no Texas, mas afirma que os preços seguem elevados e ainda estão fora da realidade, mesmo para quem vive no país.
Neste ano, o calendário das duas competições cria situações curiosas para os fãs dos dois esportes. Um dos principais cruzamentos acontece em 19 de junho, quando está prevista a última partida das finais da NBA no mesmo horário em que o Brasil enfrenta o Haiti, às 21h30, pela Copa do Mundo. Para muitos brasileiros que vivem nos Estados Unidos, será necessário dividir telas — e atenção.
Leonardo afirma que, além da menor tradição do futebol no cotidiano americano, existem diferenças culturais que acabam dificultando até mesmo hábitos comuns entre torcedores brasileiros.
Mesmo com a crescente popularidade do futebol no país, impulsionada pelos investimentos recentes e pela proximidade da Copa do Mundo, Leonardo acredita que o cenário ainda está distante do que se vê no Brasil.















