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El Niño deve atingir nível “super forte” na primavera e verão de 2026, elevando riscos de calor e seca em Minas Gerais

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MAGNO

O fenômeno El Niño, já estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial, tem previsão de intensificação nos próximos meses, podendo se tornar um dos episódios mais severos desde 1950, de acordo com uma nota técnica do Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec). A entidade aponta que há uma alta probabilidade de o evento atingir a categoria “super forte” durante a primavera e o início do verão de 2024, com impactos potencialmente significativos na região Sudeste do Brasil, especialmente em Minas Gerais.

O Cindec destaca que o El Niño foi oficialmente confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em junho de 2023. Na principal região de monitoramento do fenômeno, a Niño 3.4, a temperatura da superfície do mar atingiu uma anomalia de +2,03°C em julho, indicando forte aquecimento. As projeções indicam que esse aquecimento pode ultrapassar +4°C na primavera, chegando a valores entre +4°C e +4,5°C entre outubro e dezembro de 2023.

Segundo os modelos analisados pelo órgão, há mais de 80% de chance de o El Niño permanecer ativo ao longo do próximo trimestre, com a probabilidade de alcançar intensidade “super forte” entre setembro e janeiro de 2024 variando entre 90% e 95%. Entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027, essa probabilidade chega a 100%, reforçando a expectativa de um evento de grande magnitude.

Apesar do potencial de maior intensidade, o Cindec alerta que um El Niño mais forte não implica automaticamente em impactos proporcionais em Minas Gerais. A resposta do clima no estado depende da interação com outros sistemas atmosféricos e oceânicos, o que torna as previsões de precipitação mais complexas. Para o período de setembro a novembro de 2023, a previsão indica temperaturas acima da média em praticamente toda a extensão do estado, com variações entre 1°C e 2°C acima da climatologia normal. Uma pequena área na Zona da Mata, próxima à divisa com o Rio de Janeiro, apresenta previsão de aquecimento menor, entre 0,5°C e 1°C, mas o cenário geral aponta para um trimestre mais quente do que o habitual.

O aumento das temperaturas deve favorecer períodos mais longos de estabilidade atmosférica, com menor nebulosidade e maior incidência de radiação solar, potencializando ondas de calor e temperaturas elevadas durante a estação seca. Essa situação é especialmente preocupante para o Semiárido Mineiro, que inclui regiões do Norte de Minas e partes dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Nessas áreas, o calor intenso pode acelerar a perda de umidade do solo, aumentar a demanda por recursos hídricos para abastecimento, criação de animais e atividades agrícolas.

Além disso, o cenário de calor, baixa umidade e ausência de chuvas favorece a ocorrência de queimadas e incêndios florestais, o que leva o Cindec a recomendar maior atenção ao monitoramento de focos de calor e ações preventivas em áreas vulneráveis. A redução na disponibilidade hídrica também é uma preocupação, uma vez que temperaturas elevadas aumentam a evaporação de rios, lagos e reservatórios, contribuindo para a diminuição das vazões e volumes de água armazenados, principalmente em reservatórios de menor porte.

Apesar do alerta para temperaturas elevadas e períodos de estiagem, o órgão destaca que a influência do El Niño na precipitação em Minas Gerais é menos previsível, dependendo de fatores interativos com outros sistemas meteorológicos. Para o próximo ciclo chuvoso de 2026/2027, as projeções indicam maior irregularidade na distribuição das chuvas, com possibilidade de longos períodos de seca ou “veranicos”, alternados com episódios de chuvas intensas.

Por fim, o Cindec recomenda o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, níveis de reservatórios, umidade do ar e previsões climáticas nos próximos meses. A expectativa é de que o El Niño permaneça ativo durante a primavera e o verão de 2024, com gradual enfraquecimento apenas no início de 2027, mas com a permanência de águas mais quentes que a média no Pacífico Equatorial por vários meses, reforçando a necessidade de atenção às possíveis consequências ambientais e socioeconômicas na região.