Pressão de deputados, liderança nas pesquisas e articulação com o PL fizeram partido reabrir discussão sobre o nome do senador
O Republicanos deverá decidir nesta segunda-feira, 3 de agosto, se confirmará o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A informação foi atribuída ao presidente nacional da legenda, deputado federal Marcos Pereira, depois de vários dias de impasse e intensa pressão interna pela retomada da candidatura.
Segundo o jornal Estado de Minas, Marcos Pereira afirmou que a situação será resolvida após deputados estaduais e federais do Republicanos ameaçarem desistir de suas próprias candidaturas caso Cleitinho seja retirado definitivamente da disputa pelo Palácio Tiradentes. O movimento provocou uma mudança de tom na direção partidária e reabriu uma discussão que, poucos dias antes, parecia encerrada.
Apesar da expectativa crescente entre aliados, até a publicação desta matéria ainda não havia anúncio oficial das executivas estadual ou nacional confirmando a candidatura. A decisão deverá ser comunicada formalmente pelo partido e incorporada aos procedimentos eleitorais necessários.
Nota do partido provocou reação
O impasse ganhou força na quarta-feira, 29 de julho, quando o Republicanos divulgou uma nota afirmando que havia preparado as condições políticas para lançar Cleitinho, mas que a candidatura não teria sido formalmente assumida pelo próprio senador.
O partido também relacionou a situação à ausência de Cleitinho na convenção estadual da legenda. A manifestação foi interpretada nos bastidores como um veto ou uma retirada do nome do senador da corrida pelo Governo de Minas.
Horas depois, Cleitinho realizou uma entrevista coletiva em Divinópolis, sua cidade natal, e afirmou publicamente que deseja disputar o governo estadual. O senador também anunciou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos, como seu nome para a vaga de vice-governador.
Cleitinho explicou que não participou da convenção porque ainda atravessava um período de luto pela morte do irmão. O parlamentar declarou que havia comunicado a situação à direção partidária e que procuraria Marcos Pereira para tentar reverter a decisão.
Reuniões e pressão nos bastidores
Após a declaração em Divinópolis, Cleitinho iniciou uma nova rodada de conversas com dirigentes do Republicanos. Ele se reuniu com o presidente estadual da legenda em Minas, deputado federal Euclydes Pettersen, e procurou diretamente Marcos Pereira.
A movimentação também envolveu parlamentares e candidatos proporcionais do partido. De acordo com o Estado de Minas, deputados estaduais e federais manifestaram preocupação com os efeitos eleitorais de uma eventual retirada de Cleitinho e chegaram a ameaçar abandonar suas próprias candidaturas.
O receio é que a ausência de um candidato competitivo ao governo enfraqueça as chapas do Republicanos para deputado estadual e federal. Uma candidatura majoritária costuma ampliar a exposição do partido, fortalecer a militância e ajudar a atrair votos para os demais candidatos.
Reportagem de O Tempo apontou que uma ala da legenda já considera provável o lançamento de Cleitinho na segunda-feira. Entretanto, o próprio jornal ressaltou que a informação ainda não havia sido oficializada pelas executivas partidárias. Outra ala do Republicanos continuaria defendendo uma composição com o ex-secretário estadual Marcelo Aro, do PP.
Liderança nas pesquisas aumenta pressão
O peso eleitoral de Cleitinho é um dos principais argumentos utilizados por seus aliados para defender a candidatura.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho mostrou o senador na liderança da disputa pelo Governo de Minas, com 35% das intenções de voto. Alexandre Kalil, do PDT, apareceu com 12%, seguido por Patrus Ananias, do PT, com 10%. Mateus Simões, do PSD, registrou 6%, e Gabriel Azevedo, do MDB, apareceu com 4%.
O levantamento também mostrou Cleitinho numericamente à frente nas simulações de segundo turno. Contra Alexandre Kalil, o senador marcou 44%, diante de 29% do ex-prefeito de Belo Horizonte. Contra Patrus Ananias, Cleitinho apareceu com 46%, contra 31%. Em uma disputa com Mateus Simões, o resultado apontado foi de 46% a 15%.
A pesquisa ouviu 1.482 eleitores mineiros entre os dias 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-03490/2026.
Outro dado que chama a atenção é o crescimento da indefinição quando Cleitinho é retirado dos cenários pesquisados. Sem o senador, Alexandre Kalil, Patrus Ananias e Mateus Simões aparecem próximos, enquanto o percentual de eleitores indecisos aumenta consideravelmente.
Decisão também afeta o PL
A definição do Republicanos não interfere apenas no futuro de Cleitinho. O resultado poderá modificar toda a organização do campo da direita e da centro-direita em Minas Gerais.
O PL aguarda a decisão para definir se apoiará Cleitinho ou se trabalhará por uma candidatura própria. Lideranças liberais já demonstraram interesse em uma composição com o senador, mas evitam fechar um acordo antes da confirmação oficial do Republicanos.
A decisão também afeta as negociações envolvendo PP, União Brasil e Marcelo Aro. A federação União-PP realizará sua convenção estadual na segunda-feira, entre 18h e 19h, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O evento poderá confirmar Aro como candidato ao governo ou redefinir sua posição na chapa majoritária.
Caso Cleitinho seja confirmado, ele poderá atrair o PL e outras legendas para uma aliança competitiva. Caso seja novamente barrado, partidos desse grupo terão pouco tempo para reorganizar uma candidatura alternativa.
Luís Eduardo Falcão permanece como indicação para vice
Cleitinho afirma que não pretende disputar sozinho e mantém a indicação de Luís Eduardo Falcão para a vaga de vice-governador.
Falcão foi prefeito de Patos de Minas e integra o Republicanos. A composição teria o objetivo de unir a força eleitoral de Cleitinho no Centro-Oeste mineiro e em outras regiões do estado à presença política de Falcão no Alto Paranaíba.
A manutenção desse nome, porém, também precisará passar pelas negociações partidárias. Mesmo que o Republicanos confirme Cleitinho, a formação definitiva da chapa poderá depender das alianças construídas com PL e outros partidos.
Prazo eleitoral está próximo do fim
O Republicanos tem pouco tempo para encerrar o impasse. De acordo com o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral, as convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. O prazo para o registro formal das candidaturas termina em 15 de agosto, e a campanha eleitoral começa oficialmente no dia 16.
Por isso, a reunião de segunda-feira é considerada decisiva. Uma nova demora dificultaria a formação da chapa, a escolha dos candidatos ao Senado, a definição das alianças e a organização das campanhas proporcionais.
Até que o Republicanos divulgue uma resolução, ata ou comunicado oficial, Cleitinho continua como senador da legenda e como um nome que declarou publicamente ser candidato, mas ainda sem a homologação partidária para disputar o Governo de Minas.
A decisão poderá representar uma das principais viradas da eleição estadual de 2026. A confirmação colocaria novamente o líder das pesquisas no centro da disputa e obrigaria adversários e possíveis aliados a rever suas estratégias. Uma negativa definitiva, por outro lado, abriria espaço para uma ampla reorganização do cenário político mineiro.













