Pular para o conteúdo

Mobilizações e discursos distintos marcam o 7 de Setembro em meio a contexto eleitoral

Image
Sena/ Arte Metrópoles

Nesta segunda-feira, 7 de setembro, o Brasil celebra o Dia da Independência, uma data que, em 2026, completará 204 anos. Tradicionalmente marcada por manifestações cívicas e políticas, a data deste ano ganhou conotações adicionais devido ao cenário eleitoral em que o país está inserido. Os principais candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), participaram de eventos com propostas e discursos diametralmente opostos, refletindo suas estratégias de campanha para o período.

Em Brasília, o presidente Lula participou do tradicional desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, que teve duração prevista de duas horas. O evento, aberto ao público e iniciado às 9h, foi organizado com foco na sobriedade, evitando qualquer tom que pudesse ser interpretado como promoção eleitoral. A cerimônia destacou três eixos temáticos centrais: soberania nacional, combate à violência contra a mulher e a preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Além dessas pautas, o desfile contou com a participação das tropas das Forças Armadas — Marinha, Exército e Força Aérea — e de representantes do governo, como a primeira-dama Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ministros do gabinete petista.

A estratégia do governo foi realizar um evento de caráter mais discreto, evitando o uso de símbolos partidários explícitos, como adesivos do PT ou as cores vermelha, em consonância com orientações jurídicas para prevenir questionamentos na Justiça Eleitoral. A iniciativa também buscou reforçar o conceito de unidade nacional, com o mote “Soberania: A Força que Une o Brasil”, uma referência às tensões recentes envolvendo a influência de interesses estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos, na política brasileira. O desfile incluiu ainda uma homenagem às atletas da Seleção Brasileira de futebol feminino, especialmente às jogadoras que participaram da primeira equipe formada no país, além de faixas e mensagens de combate à violência contra a mulher ao longo do percurso.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro realizou uma mobilização na Avenida Paulista, em São Paulo, onde tradicionalmente ocorrem manifestações de apoiadores do bolsonarismo. O ato, inicialmente previsto para às 15h com o lema “É Agora ou Nunca”, passou a ser convocado sob a inscrição “Fora Lula, Fora Moraes”, após as recentes revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A estratégia de Flávio visa explorar o desgaste político do ministro, considerado um dos principais opositores do bolsonarismo, especialmente após sua atuação em processos envolvendo Jair Bolsonaro e aliados, incluindo a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.

A mobilização de Flávio na Paulista busca também ampliar a participação de apoiadores e intensificar as críticas ao governo Lula e ao ministro Moraes. A escolha do local remete às manifestações do próprio pai do senador, que frequentemente utilizou a avenida para atos políticos. As declarações de aliados indicam que, embora o ato tenha potencial para mobilizar parte do eleitorado de direita, ainda há dificuldades em alcançar a mesma adesão de eleições anteriores, sobretudo devido ao contexto de investigações envolvendo o relacionamento de Flávio com o empresário Vorcaro, objeto de apuração pela Polícia Federal.

No âmbito jurídico, o Planalto tem submetido os preparativos do desfile às orientações da Advocacia-Geral da União (AGU), para evitar que o evento seja interpretado como promoção eleitoral, o que poderia gerar ações na Justiça Eleitoral. Desde 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou Bolsonaro por abuso de poder político e econômico nas comemorações do Bicentenário da Independência, com uma inelegibilidade de oito anos para ele e seu vice, Walter Braga Netto. Essas decisões reforçam o cuidado das instituições na fiscalização do uso político das celebrações cívicas.

Outros eventos de apoio ao bolsonarismo ocorreram em diferentes regiões do país, como a caminhada de Augusto Cury na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e atos em Goiás e São Paulo promovidos por Ronaldo Caiado e Romeu Zema, respectivamente. Ainda sem confirmação de participação, a equipe de campanha de Renan Santos, do movimento Missão, não anunciou eventos específicos para o feriado. Assim, o 7 de Setembro de 2023 permanece como uma data marcada por manifestações de diferentes espectros políticos, refletindo o momento de polarização e disputa eleitoral em que o Brasil se encontra.