Em abril de 2024, a presença Franciscana em Divinópolis completa 100 anos. A atuação dos frades na cidade não se limitou à assistência pastoral, mas se estendeu na cultura, na educação e no próprio modo de ser dos divinopolitanos. A ordem dos frades menores, foi fundada por São Francisco de Assis em 1209, com a proposta de viver em fraternidade obediência e pobreza. No entanto a missão e o trabalho social dos frades, sobretudo com os mais pobres, incomodavam a ditadura.
Frei Leonardo nasceu em Abaeté, em 1942, sua chegada a Divinópolis
ocorreu em 1964. Morou três anos em Paris, onde fez doutorado em
sociologia, na Universidade Sorbonne. De volta ao Centro-Oeste
mineiro, atuou para além da religião, como incentivador da cultura
popular e da educação.
Um dos frades mais perseguidos pelo regime em Divinópolis foi frei
Cristóvão, ou Frei Capeta, como era conhecido por seu comportamento
inquieto e questionador. Nasceu em Pará de Minas em 05 de abril de
1933. Entrou para a ordem em 1953 e foi professor de teologia e
Sociologaia no Inesp e Fadom. Por suas obras e idéias, foi
perseguido e exilado. Frei Cristóvão morreu em belo horizonte em 08
de outubro de 2012, aos 79 anos.
Outro frei monitorado na época foi Bernardino Leers. Nascido na
Holanda, em 1919, foi transferido para a província de santa cruz em
1951. Lecionou em belo horizonte e foi um dos fundadores da
faculdade de filosofia, ciências e letras de Divinópolis. Além do
trabalho no magistério, Frei Bernardino deixou uma vasta produção
intelectual. Frei Bernardino Leers morreu em Divinópolis, em 4 de
junho de 2011 aos 92 anos.
Para além de um centro religioso, o Convento dos Franciscanos em
Divinópolis foi berço da primeira faculdade da região em 1931. Além
da FAFID, atual UEMG, em1965. O local também foi um espaço cedido
pelos religiosos para reuniões de grupos perseguidos, como
sindicatos e professores.
O jornal A Semana começou a ser produzido pelos Franciscanos na
década de 1940. Inicialmente distribuído na paróquia se tornou de
grande circulação nos anos 60. Em junho de 1964, dois meses depois
do início da ditadura, o jornal enalteceu a realização de uma
marcha da família ocorrida em Divinópolis. Mas também deu espaço
para críticas à ditadura. O jornal a semana foi descontinuado no
início dos anos 2000.















