Polícia Civil de MG realiza maior operação de combate ao crime organizado

Postado em 19/03/2019 13:55

Cinquenta e dois mandados cumpridos, sendo 22 de prisão e 30 de busca e apreensão, uma prisão em flagrante. Esse foi o resultado de uma operação realizada na manhã de hoje (19), pela Polícia Civil de Minas Gerais. A investigação que durou cerca de oito meses foi realizada nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Uberaba, Passos, Campo Florido, Ouro Fino, Francisco Sá e Três Corações, além de outros Estados, como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Paraná. Três pessoas ainda não foram localizadas.

Durante as investigações foi possível mapear a rede de comando do Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro do Estado de Minas Gerais. As lideranças estaduais estão divididas em colegiados denominados sintonias. Esses núcleos possuem poder de decisão e comando sobre os demais integrantes que a elas se reportam. Eles são compostos por um número de pessoas que varia de acordo com a necessidade de cada sintonia e possuem como função a deliberação sobre temas específicos de cada área de atuação da organização criminosa.

Para o Delegado Marcus Vinicius Lobo Vieira Leite esse foi um duro golpe no crime organizado. “Conseguimos identificar e prender 22 líderes da quadrilha, o que representa um duro golpe para o crime. Foram presas as lideranças e vamos continuar trabalhando para dar uma reposta à sociedade e garantir a qualidade da segurança pública em Minas Gerais”, destacou.

Essas sintonias estão divididas entre Sintonia Geral do Estado, Sintonia Geral do sistema, Sintonia Geral da FM, Sintonia Geral dos Caixas e Sintonia Geral da Rua. As apurações mapearam ainda integrantes das sintonias chamadas Apoio dos Estados e Países e Resumo dos Estados e Países.

 

Sintonia Geral do Estado

É a estrutura de maior importância para o PCC dentro do Estado de Minas Gerais. A ela é atribuída a função decisória acerca da distribuição das funções, da participação nos batismos dos novos integrantes, do julgamento da conduta disciplinar dos integrantes, da transmissão das ordens das instâncias superiores (São Paulo), do julgamento de integrantes de facções inimigas (tribunal do crime), do controle e difusão de salves (ordens) para ataques a agentes e equipamentos públicos, dentre outras.

Durante as investigações foram identificados 14 integrantes da Sintonia Geral do Estado, sendo que nesta fase foram obtidos mandados de prisão para sete deles. Entre eles, Rodrigo dos Santos, vulgo Daleste, Renato Junio Vieira Matias, vulgo Cyclone, Eberton Sales Morais, vulgo Chabala, Anderson Ferreira Lopes, vulgo Peterson, Claudemir Rodrigues de Oliveira, vulgo Anjo da Noite, Alex de Menezes, vulgo Mosquito e Leandro Ribeiro dos Santos, vulgo Xavier.

 

Sintonia Geral do Sistema

É responsável por transmitir as ordens da sintonia geral do estado para os integrantes do PCC que se encontram presos no sistema penitenciário. São responsáveis ainda por reunir as informações oriundas do sistema prisional e repassar suas reivindicações para as instâncias superiores. São os componentes deste colegiado que executam as paralisações e outros movimentos de desobediência dentro das unidades prisionais. Entre os presos estão Thiago Ferreira Santos, vulgo Sanatório, Marcelo Alves Belchior, vulgo Rei do Crime, Igor Garcia da Silva, vulgo Oakley, Rodrigo Sidnei dos Santos Lemes, vulgo Humildade.

 

Sintonia Geral da FM

Responsável pelos pontos de venda de drogas de propriedade da organização criminosa, conhecidos como boca de fumo, biqueiras ou lojinhas. São os integrantes deste quadro que fazem a contabilidade do tráfico e repassam os lucros da venda de drogas para o PCC. Os presos são Anderson Elias, vulgo Chronos, Gabriel Aparecido de Almeida Paula, vulgo Balantines, Thiago da Silva Craveiro, vulgo Moisés, Marcos Andrade Saraiva, vulgo Rabugento e Caíque Fernando Argondizzi Pereira, vulgo Italiano.

 

Sintonia Geral dos Caixas

Responsável pela contabilização da venda de produtos e serviços dentro do sistema prisional, tais como, cigarro, jogo de bicho, dentre outras despesas para apoio aos faccionados presos. Hélio José da Silva , vulgo Guibson e Ronaldo Luís Gonçalves, vulgo Ronaldinho da Ventosa.

 

Sintonia Geral da Rua

Tem a função de coordenação dos indivíduos vinculados ao PCC que estão em liberdade. São responsáveis diretos nas conduções, os julgamentos disciplinares, bem a implementação do ideário do PCC na rua. Desse núcleo, foi preso – João Paulo Tiburcio, vulgo Demo.

 

Apoio dos Estados e Países e Resumo Disciplinar dos Estados e Países

Instâncias superiores, normalmente alocada em outros estados onde o PCC possui maior capilaridade como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, que tem o objetivo de fazer a conexão entre as instâncias dos diversos estados e países onde o PCC atua e a chamada Sintonia Final. Durante as investigações foram levantados os integrantes destas estruturas que são responsáveis pelo Estado de Minas Gerais. Foram presos Alex Alves da Silva, vulgo Lyedson, Marcos Rogério Borim, vulgo Arthur, Jeter Alves de Oliveira, vulgo Nícolas, Marcelo Molina, vulgo Júnior e Diego Macedo Juiz, vulgo De Deus.

 

Fornecimento de munição e patrocínio de mobilizações da facção

Desse núcleo foi preso Jeferson Tadeu Costa Souza Vasquez, vulgo Jeferson da Afare.

A operação que recebeu o nome de “Hefesto”, que faz referência ao Deus Grego, representado na forma de um ser grotesco e Coxo, expulso de Olimpo e que ficou conhecido por seus artefatos produzidos através da forja e do fogo. De acordo com o último levantamento realizado, existem hoje mais de 2.200 membros do PCC em todo o país.

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