Flávio Roscoe, presidente da Fiemg — Foto: Agência O
Globo
Pré-candidato à Presidência deve anunciar Flávio Roscoe no
estado; senador mantém postulação
O PL deve lançar, nas próximas semanas, o empresário Flávio Roscoe ao governo de Minas Gerais para formar palanque com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O partido tenta tirar da disputa o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e reunir o bolsonarismo no estado em torno do empresário, que pontuou 2% na última Quaest.
A estratégia, discutida internamente como forma de garantir o
“número 22” completo na urna, tem como pano de fundo a resistência
do partido em apoiar o atual governador Mateus Simões (PSD),
sucessor de Romeu Zema (Novo). Dirigentes da legenda avaliam que
abrir mão de candidatura própria em Minas — um dos maiores colégios
eleitorais do país — enfraqueceria o projeto presidencial.
Nos bastidores, o movimento também passa por esvaziar a candidatura
de Cleitinho, hoje melhor posicionado nas pesquisas. Segundo a
Quaest, ele tem 30% das intenções de voto no estado. A avaliação
interna é que, sem um acordo, o PL corre o risco de perder
protagonismo local.
Cleitinho tem rejeitado a possibilidade de abrir mão da
candidatura e reagiu com ironia à pressão para recuar:
— Vou desistir e ser vice de quem tem 2%? Não preciso de
palanque, tenho o povo — afirmou.
Apesar disso, aliados de Flávio Bolsonaro defendem que Roscoe pode
crescer por ter perfil de outsider e ligação com o setor produtivo,
o que ajudaria a ampliar o alcance do bolsonarismo para além da
base tradicional.
Outro fator pesa a favor do nome: o empresário é visto como alinhado ao grupo político e sem histórico de conflitos internos, o que facilitaria a construção de uma campanha unificada.
A relação com o atual governo estadual também é atravessada por ruídos antigos. Integrantes do PL lembram que o próprio Roscoe atuou, em 2022, contra a escolha de Mateus Simões como vice na chapa de Zema, o que reforça a resistência a uma eventual aliança.
Aiados de Cleitinho avaliam que ele não tem incentivo político para ceder espaço diante da vantagem nas pesquisas. Adversários, por sua vez, apostam que o senador pode perder fôlego ao longo da campanha, por seu discurso mais voltado ao Legislativo. Eles comparam o desempenho do parlamentar ao do deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos) nas eleições municipais de Belo Horizonte. Com forte recall, Tramonte liderava todas as pesquisas, mas desidratou na reta final e terminou a disputa em terceiro lugar.












