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Minas Gerais ocupa a segunda posição no país em mortes por acidentes envolvendo álcool ao volante

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Minas Gerais é o segundo estado brasileiro com maior número de mortes decorrentes de acidentes de trânsito relacionados ao consumo de álcool por motoristas nas rodovias federais. Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas nove mortes no estado, representando aproximadamente 10,71% das 84 fatalidades ocorridas em todo o Brasil no mesmo período, segundo dados levantados pela Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans), com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O levantamento aponta ainda que a taxa de letalidade por acidentes envolvendo álcool em Minas é de 7,1%, acima da média nacional de 5,8%. Esses números consideram apenas os acidentes ocorridos nas rodovias federais, não incluindo incidentes em vias urbanas, o que reforça a preocupação com a gravidade do problema nas estradas de acesso ao estado. Ainda assim, um caso recente na capital Belo Horizonte evidencia os riscos da combinação entre álcool e direção, provocando uma tragédia que mobilizou a sociedade e as autoridades locais.

Um episódio emblemático ocorreu na região do Barreiro, em Belo Horizonte, envolvendo um acidente que resultou na morte de José Vicente Severino, de 52 anos. Segundo o boletim de ocorrência, José Vicente morreu após colidir sua motocicleta contra uma mureta após uma colisão lateral com um carro. O motorista do veículo, que trafegava pela faixa do meio no sentido Barreiro, apresentou 0,49 mg/L de álcool no teste do bafômetro, realizado após o acidente. O condutor, de 44 anos, foi preso em flagrante, mas posteriormente liberado após ser ouvido pela Polícia Civil.

O acidente ocorreu na noite de sexta-feira (11), e José Vicente foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em estado grave, com traumatismo craniano, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no Hospital João 23. Durante o sepultamento, realizado em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, familiares e amigos expressaram sua dor e solicitaram justiça pelo ocorrido. A irmã da vítima, Renata, destacou que José Vicente era pai de quatro filhos, de idades entre 15 e 22 anos, além de dois netos, e que a responsabilização do motorista não trará de volta o irmão, mas seria uma forma de evitar que outras famílias passem por situação semelhante.

A ex-companheira de José Vicente, Marcelina, ressaltou que ele era responsável pelo sustento do filho autista do casal, e que a perda dele representa uma ausência irreparável na vida da criança. Amigos próximos, como Helton, que integrava rodas de samba com José Vicente, conhecido como Marcão, lamentaram a perda, destacando a alegria e humildade do amigo, e reforçando o apelo por justiça.

Especialistas em trânsito explicam que o consumo de álcool compromete funções cerebrais essenciais ao julgamento crítico, controle de impulsos e avaliação de riscos. A psicóloga Giovana Varonni, diretora da Actrans, afirma que motoristas sob efeito de álcool tendem a desenvolver uma falsa sensação de controle, acreditando ainda estar aptos a dirigir, mesmo com capacidades motoras e cognitivas significativamente prejudicadas. Ela alerta que essa ilusão aumenta o risco de acidentes fatais, especialmente em curvas e trechos de maior dificuldade.

A psicóloga Kelly Bessa reforça que cada morte por embriaguez ao volante é uma tragédia evitável e que a sociedade precisa tratar esse comportamento como uma questão de segurança pública e criminalidade. Segundo ela, a cultura de tolerância zero deve prevalecer, com ações mais rigorosas por parte das autoridades e maior conscientização social.

No caso do acidente envolvendo José Vicente, o motorista afirmou que trafegava pela faixa do meio quando viu a motocicleta na faixa da direita. Durante a curva, a dinâmica do acidente ainda está sendo investigada, mas a colisão resultou na perda do controle da motocicleta, que atingiu uma mureta. O condutor permaneceu no local, realizou o teste do bafômetro e foi preso em flagrante, sendo posteriormente liberado após atendimento médico. Ele é ex-integrante do gabinete da vereadora Flávia Borja, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, e foi exonerado após o ocorrido. A investigação está sob responsabilidade do Departamento Estadual de Investigação de Crimes de Trânsito (Deictran).