Uma investigação sobre a morte de três pessoas em uma área rural do Amazonas colocou o nome da família Coelho Diniz, proprietária de uma das maiores redes de supermercados de Minas Gerais, no centro das apurações. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e repercutidas pelo Portal Único.
Segundo a reportagem da Folha, dois homens presos por participação no crime afirmaram que integrantes da família teriam sido os mandantes da chacina ocorrida em abril deste ano no município de Lábrea, no sul do Amazonas.
As vítimas foram identificadas como os agricultores Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos, Antônio Renato, de 32 anos, e o adolescente Arthur Henrique Ferreira Said, de 14 anos. O triplo homicídio aconteceu em uma região marcada por conflitos fundiários, próxima à divisa entre os estados do Amazonas e Acre.
De acordo com as investigações, as vítimas seguiam em uma caminhonete pela região da Gleba Recreio do Santo Antônio quando foram surpreendidas por uma emboscada armada nas proximidades da Gleba Pauene, no dia 25 de abril. Os criminosos abriram fogo contra o veículo, que saiu da pista e caiu em um igarapé.
Dois ocupantes conseguiram escapar. Já o adolescente Arthur Henrique tentou fugir nadando, mas, conforme relataram as investigações, foi perseguido pelos atiradores e morto no local.
Poucas horas após o crime, os suspeitos foram presos. Em depoimentos prestados à polícia e posteriormente mencionados em audiência de custódia, eles confessaram participação na execução e apontaram Moisés Diniz, filho do empresário Alex Sandro Coelho Diniz, como suposto mandante da ação.
Moisés Diniz é filho do empresário Alex Sandro Coelho Diniz e também suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Até a publicação da reportagem da Folha de S.Paulo, o senador não havia comentado o caso.
A família Coelho Diniz é controladora do Grupo Coelho Diniz, rede supermercadista com forte atuação em Minas Gerais. Conforme dados citados pela Folha de S.Paulo, a empresa possui faturamento anual estimado em cerca de R$ 2,3 bilhões e detém participação acionária de 24,9% no Grupo Pão de Açúcar (GPA).
A publicação ressalta ainda que a família Coelho Diniz não possui parentesco com o empresário Abílio Diniz, ex-controlador do Pão de Açúcar.
Segundo o depoimento de Lucas Pessoa dos Santos, um dos presos pelo crime, ele trabalhava para propriedades ligadas à família desde 2020 e teria sido contratado para atuar na proteção de terras e rebanhos na região. O suspeito afirmou que recebeu orientações relacionadas ao conflito envolvendo ocupações de terras e que o ataque ocorreu em meio a essa disputa.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Moisés Diniz negou qualquer envolvimento com os assassinatos. Ele afirmou não ter conhecimento de conflitos na região que o envolvessem e disse ter sido surpreendido ao saber que seu nome havia sido mencionado pelos acusados.
Por meio de nota assinada pelo advogado Vinicius Soalheiro, Moisés declarou que “nega veementemente qualquer participação” nos fatos investigados. A defesa também informou que ele não figura, até o momento, como investigado no inquérito policial e que não responde a processos relacionados a disputas agrárias.
Já o empresário Alex Sandro Coelho Diniz, pai de Moisés, não havia se manifestado até a publicação da reportagem da Folha de S.Paulo, segundo o jornal.
O caso continua sendo investigado pelas autoridades do Amazonas, que apuram as circunstâncias do crime, a motivação da chacina e a possível participação de outros envolvidos.














