O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), candidato ao Governo de Minas Gerais, afirmou que está disposto a abrir mão de compromissos de campanha para permanecer em Brasília e pressionar pela abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A declaração foi feita no plenário do Senado na noite desta terça-feira (1º), após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Durante o pronunciamento, Cleitinho cobrou uma posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável por decidir se pedidos de impeachment contra ministros do Supremo terão andamento na Casa.
“Eu sou candidato ao Governo de Minas Gerais, mas, se precisar, abro mão de fazer campanha para ficar aqui todos os dias”, declarou o senador. Cleitinho também pediu que Moraes compareça ao Senado para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo revelado pela investigação.
Nas redes sociais, o parlamentar reforçou que continua exercendo o mandato mesmo durante o período eleitoral.
“Sou candidato ao Governo de Minas, mas continuo cumprindo meu papel de senador. Estou em Brasília acompanhando pautas importantes, como o fim da escala 6×1 e as discussões sobre o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes”, escreveu.
Mensagens foram encontradas no celular de Vorcaro
As mensagens que provocaram a reação de Cleitinho fazem parte do material extraído pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master.
Segundo reportagens baseadas no relatório policial, os investigadores encontraram registros de mensagens enviadas por Vorcaro a um contato atribuído a Alexandre de Moraes. Em uma delas, o empresário teria perguntado se deveria deixar o país pouco antes de ser preso pela Polícia Federal, em novembro de 2025.
Outros diálogos indicariam pedidos de ajuda relacionados ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os investigadores ainda procuram esclarecer o contexto das comunicações, se houve respostas e se algum dos pedidos apresentados por Vorcaro foi efetivamente atendido.
Também foram divulgadas informações sobre encontros entre o empresário e o ministro e sobre o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
As mensagens e os documentos integram uma investigação em andamento. A existência dos registros, por si só, não representa conclusão definitiva sobre eventual crime ou irregularidade praticada pelos envolvidos.
Em manifestação anterior, o gabinete de Alexandre de Moraes negou que o contato relacionado a parte das conversas pertencesse ao ministro. Até a divulgação mais recente do material, a assessoria do magistrado não havia apresentado uma resposta completa sobre todas as novas informações publicadas.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, solicitou explicações à Procuradoria-Geral da República sobre uma das mensagens atribuídas a Vorcaro. Já a Ordem dos Advogados do Brasil defendeu uma apuração “rigorosa e imparcial” dos fatos.
Pressão sobre o presidente do Senado
Cleitinho não foi o único senador a cobrar providências. Parlamentares da oposição também defenderam a abertura de um processo contra Moraes. Entre eles estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Izalci Lucas (PL-DF).
Após a sessão, Davi Alcolumbre foi questionado sobre as mensagens e sobre os pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo. O presidente do Senado evitou avaliar diretamente o conteúdo das conversas.
“Eu não achei nada, não devo achar nada. Minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal: 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Alcolumbre.
A abertura de um processo contra ministro do STF depende de decisão da Presidência do Senado. Se a denúncia for aceita e avançar pelas etapas previstas, a perda do cargo exige o apoio de dois terços dos senadores, equivalentes a 54 dos 81 integrantes da Casa.
Até o momento, Alcolumbre não indicou que pretende pautar o pedido defendido por Cleitinho e por outros integrantes da oposição.
Discurso leva polarização nacional para a eleição mineira
A declaração de Cleitinho também tem repercussão direta na disputa pelo Governo de Minas. O senador vinha construindo uma campanha concentrada em questões estaduais, visitas aos municípios e aproximação com prefeitos e lideranças locais.
Ao vincular sua agenda eleitoral à campanha pelo impeachment de Moraes, Cleitinho leva para a corrida mineira uma das discussões mais polarizadas do cenário político nacional.
A estratégia pode fortalecer sua identificação com o eleitorado conservador e com os críticos do Supremo. Por outro lado, também abre espaço para que adversários questionem se o candidato pretende priorizar o debate nacional ou a apresentação de propostas específicas para Minas Gerais.
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Cleitinho exerce mandato no Senado desde 2023. Sua candidatura ao Palácio Tiradentes foi confirmada pelo Republicanos em agosto, depois de uma sequência de negociações e mudanças de posição dentro do próprio partido.
A fala de que poderia abrir mão da campanha não foi apresentada como uma desistência formal da candidatura. Pelo contexto do pronunciamento, o senador afirmou que deixaria temporariamente as atividades eleitorais para permanecer no Senado acompanhando a mobilização contra Moraes.
Com isso, Cleitinho continua candidato ao Governo de Minas, mas passa a colocar o confronto com o ministro do Supremo como parte central de seu discurso nesta fase da campanha.
Foto: Agência Senado















