Por Felipe Machado
Há 62 anos, em 21 de abril de 1963, Guarani Esporte Clube e Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio, se enfrentaram em Divinópolis, num amistoso que terminou com vitória da equipe tamanduá e gritos de “Olé” da torcida bugrina.
No dia 21 de abril de 1963, Divinópolis proporcionou mais um grande espetáculo esportivo ao receber a equipe do Botafogo de Futebol e Regatas, da cidade do Rio de Janeiro. A equipe, uma das mais famosas do Brasil, que na época contava com craques como Garrincha, Zagallo, Nilton Santos, entre tantos outros, que não só representavam as cores alvinegras da equipe do então Estado da Guanabara, mas também a camisa canarinho da Seleção Brasileira, bicampeã mundial no Chile no anterior.
Além dos nomes, o Botafogo vinha ao Centro-Oeste Mineiro com o peso de um grande campeão. Vencedor dos Campeonatos Carioca de 1961 e 1962, do Rio-São Paulo do ano anterior, vice da Taça Brasil e representante do país na disputa da Taça Libertadores da América de 1963, o Clube da Estrela Solitária era o franco favorito contra a equipe do Guarani, que apesar de viver sua melhor fase profissional, não passava ainda de boas campanhas no campeonato mineiro, alcançando sua melhor colocação no ano de 1961, um 4º lugar.
Apesar da propaganda da vinda de atletas de renome, o Botafogo restringiu sua equipe à uma base reserva e juvenil para enfrentar a equipe representante de Divinópolis no Campeonato Mineiro. O Glorioso trouxe para a Princesinha do Oeste praticamente sua equipe que conquistaria o Campeonato Carioca Juvenil naquele mesmo ano, caso dos atletas Florisvaldo, Mura, Zé Carlos, Adevaldo, Canavieira, Dagoberto e Dedé. Jairzinho, o “Furacão da Copa de 1970” integrava esta equipe, mas por algum motivo não esteve em campo contra o Guarani nesta ocasião.
Vale lembrar que numa outra ocasião, anos antes, quando o Guarani também enfrentou o Botafogo, na inauguração dos refletores do seu estádio, um craque juvenil ainda pouco conhecido, esteve em campo contra o Bugre em Divinópolis. Era a fria noite de 1º de junho de 1954, quando Garrincha desfilou seu futebol pelo Estádio Adriano Maurício (então nome do Estádio Waldemar Teixeira de Faria, o Farião). Naquele jogo, a equipe carioca triunfou por 4 a 0.
Mas a sorte botafoguense seria outra em 1963. O excesso de anúncios em relação a vinda dos “cobras”, anunciada pelo Botafogo, fez o público divinopolitano desconfiar. Mas mesmo com as ausências, a torcida bugrina e espectador divinopolitano não deixaram a desejar: recorde de arrecadação no Estádio do Guarani, com renda de Cr$ 755.000,00, superando o jogo entre Guarani e Atlético, ocorrido em 1961, na ocasião da liderança da equipe tamanduá no certame estadual.
“(…)o Guarani encarou com seriedade, saindo-se airosamente bem, com franco domínio, impondo-se com seriedade, destruindo os tramas contrários e amparado pelo sistema de meia cancha, propiciando ao ataque constantes perseguições ao arco adversário”, definiu a atuação do onze brugrino o Jornal ‘A Semana’, de 28 de abril. “O triunfo calhou perfeitamente à equipe indígena que pontificou, superando seu antagonista desde o início da partida sem perder o controle da rédea (…)”, continua o períodico.
Tamanha a supremacia e a insistência do Guarani, a equipe divinopolitana chegou à frente do placar logo aos 15 minutos do primeiro tempo. A inauguração do placara coube ao craque Panhoto, assim contado pelo Jornal ‘A Semana’: “(…) vindo o Guarani a passar à frente do marcador ao primeiro quarto de hora com um tiro arrazante de Panhoto”.
Ainda no primeiro tempo, o Botafogo conseguiu reação e igualou o resultado aos 26 minutos, após Mura, aproveitando cochilo da defesa local, estocar pela direita, invadir a grande área e passar a bola para Dedé, que apenas colocou-a nas malhas do goleiro Geraldino.
Nada que abalasse o Guarani, que continuou a buscar a vitória, em vão na primeira parte. na volta do intervalo, o Guarani continuou a comanadar a peleja, e a todo custo buscava o gol adversário, inflando sua torcida. “Os 45 minutos finais, ainda mantendoos indígenas em superioridade, a ponto de o estádio vibrar com o ‘olé’. Nesta disposição a fase complementar desenrolava-se para o final com o injusto 1 x 1”, definiu José de Sousa, colunista de esportes do ‘Comentário Esportivo’, também do ‘A Semana’.
Mas aos 40 minutos do segundo tempo, “o enorme público explodiu com o tento da vitória”! Edinho, escorando cobrança de escanteio, emendou para o gol de Florisvaldo, marcando o gol que deu uma das maiores e mais históricas vitórias do Guarani Esporte Clube.
GUARANI 2 x 1 BOTAFOGO
Ficha técnica da histórica partida:
DOMINGO , 21 de abril de 1963
🏆COMPETIÇÃO: Amistoso
🏟 LOCAL: Estádio Adriano Maurício — Divinópolis-MG (BRA)
👁️🗨️PÚBLICO: Não disponível
💰RENDA: CR$ 755.000,00
⚖️ÁRBITRO: Waldemar Meireles (F.C.F.)
GUARANI: Geraldino; Luizinho, Leston, Mirim e Catocha (Ceci); Pausinho e Panhoto (Lucena); Jaime, Fiapo, Ticrim (Sinval) e Edinho. Téc: Geraldino.
BOTAFOGO: Florivaldo; Mura, Jadir, Ademilton e J. Alves; Luiz Carlos e Jaime (Hamilton); Dagoberto, Orlando (Brandãozinho), Dedê e Canavieira. Téc:
⚽ GOLS: Panhoto (GUA) 15′ do 1ºT, Dedê (BOT) 26′ do 1ºT e Edinho (GUA) 40′ do 2ºT.
















