Uma moradora de Divinópolis denuncia um caso de possível negligência envolvendo sua filha de 5 anos, diagnosticada com autismo, na Escola Municipal João Gontijo da Fonseca. Segundo a mãe, no dia 11 de julho, a criança chorava muito e se queixava de fortes dores na barriga, mas não recebeu a devida atenção por parte da equipe escolar.
De acordo com o relato, a situação foi inicialmente tratada como uma crise comum, o que é frequente no comportamento da menina por causa do transtorno. No entanto, o choro persistiu, e mesmo com a criança reclamando de dor, a professora teria repreendido a menina dizendo que era “birra”. Por volta das 16h23, a escola entrou em contato com a mãe para relatar o choro excessivo. A mãe pediu para falar com a filha, que informou estar com dor na barriga. A resposta da secretária, segundo a mãe, foi que daria “água com açúcar” e depois retornaria, o que não aconteceu.
Mais tarde, quando a menina chegou em casa pelo transporte escolar, estava aos gritos de dor e não conseguia andar. Mesmo assim, a escola teria colocado a criança no ônibus e a enviado para casa. A monitora do transporte escolar também teria interpretado o sofrimento da aluna como birra.
Ao ser levada imediatamente à UPA pela mãe, a criança foi diagnosticada com apendicite aguda e precisou passar por uma cirurgia de emergência no Hospital São João de Deus. A mãe conta que, ao retornar à escola para entender o ocorrido, ouviu de uma supervisora que chegaram a cogitar acionar o SAMU, mas que optaram por esperar o transporte escolar, pois o horário de saída já se aproximava.
A mãe relata ainda que já havia registrado uma denúncia anterior na Secretaria Municipal de Educação (Semed) sobre a conduta da escola. Em uma das situações, ouviu de uma funcionária que sua filha “usa o laudo de autismo para fazer o que quer na escola”.
O caso foi levado à Justiça e denunciado aos órgãos competentes, de acordo com a mãe.
Em nota, a Prefeitura de Divinópolis se posicionou oficialmente. Leia a resposta na íntegra:
A Secretaria Municipal de Educação esclarece, sobre o ocorrido na EM João Gontijo da Fonseca está acompanhando de forma responsável e atenta a situação da criança citada.
De acordo com o que foi apurado com a gestão escolar, ao longo do período em que esteve na escola, a criança não apresentou comportamento atípico ou qualquer sinal que indicasse necessidade de atendimento médico emergencial. No momento em que relatou sentir dor, a mãe foi prontamente contatada e teve pleno conhecimento da situação. Em comum acordo, diante da informação recebida, a responsável permitiu que a criança permanecesse na escola, optando por não buscá-la naquele momento.
Em curto intervalo de tempo, cerca de 20 min. a escola tentou novo contato telefônico, conforme registrado no histórico de chamadas do celular. Não houve resposta nem retorno da mãe. Considerando que o horário regular de aulas já estava se encerrando e não havia sinais clínicos aparentes que indicassem um quadro de urgência, a criança retornou para casa no transporte escolar, conforme rotina previamente autorizada pela família.
A crise clínica que culminou no diagnóstico de apendicite foi, de fato, um evento inesperado e isolado, tanto para a escola quanto para a própria família, que até aquele momento também não havia identificado sinais da condição médica.
É importante ressaltar que a equipe escolar realizou todos os procedimentos de acolhimento e cuidado possíveis e pertinentes ao ambiente escolar.
Após o ocorrido, a responsável esteve na secretaria de educação e comunicou pessoalmente o ocorrido as equipes da Educação Inclusiva e do Transporte Escolar. Na ocasião, informou que já havia procurado a Promotoria de Justiça e que daria seguimento ao trâmite jurídico, mencionando, inclusive, que a criança não permaneceria matriculada na escola.
A Secretaria Municipal de Educação reafirma seu compromisso com o cuidado e o bem-estar de todas as crianças e informa que as averiguações internas estão em andamento. Caso necessário, os registros e informações disponíveis serão encaminhados ao Ministério Público para as providências cabíveis.
Estamos à disposição para colaborar com os esclarecimentos e com qualquer órgão competente que venha a acompanhar o caso.
O espaço segue aberto.














