A vereadora de Divinópolis, Kell Silva (PV), acionou o Ministério Público após a publicação de um vídeo nas redes sociais oficiais do prefeito Gleidson Azevedo (Novo), divulgado na tarde desta terça-feira (10). O material, utilizado para anunciar a entrega do Hospital Regional apresenta uma transição de imagens que, segundo a parlamentar, configura racismo recreativo.
No vídeo, a edição utiliza a imagem das nádegas de um gorila que, por meio de uma transição visual, transformam-se nos lábios de um homem negro — o chefe de gabinete, Talles Duque — posicionado ao lado do prefeito. Para Kell, a associação reforça estereótipos históricos usados para desumanizar a população negra.
Em nota pública, a vereadora classificou o episódio como um exemplo claro de racismo recreativo — conceito cunhado pelo jurista Adilson Moreira, que define a prática como o uso de humor, metáforas visuais ou “brincadeiras” para reproduzir preconceitos raciais, mascarando a violência simbólica sob a aparência de entretenimento.
Kell destacou ainda a responsabilidade inerente aos cargos públicos e o impacto social desse tipo de conteúdo. Segundo ela, o prefeito, por representar mais de 240 mil habitantes, deve utilizar sua influência para promover a igualdade e o respeito. “Como mãe, penso no efeito disso sobre nossas crianças. Não posso aceitar que crianças negras cresçam ouvindo comparações ofensivas que ferem sua autoestima e dignidade. Isso não é marketing político, é um ataque à dignidade humana”, declarou.
Diante do ocorrido, a parlamentar informou que protocolou uma notícia de fato junto ao Ministério Público, solicitando apuração do caso. Ela reforçou que seu mandato seguirá atento e atuante contra qualquer forma de discriminação, ressaltando que a entrega de obras públicas não justifica práticas ofensivas ou condutas que possam configurar crime racial.
‘A ideia do vídeo foi minha‘, diz Chefe de gabinete de Gleidson
A reportagem ouviu o chefe de gabinete do prefeito, Talles Duque, que aparece no vídeo. Ele afirmou que a ideia partiu dele, inspirada em uma trend de internet, e negou qualquer conotação racista. “Em maio houve outro vídeo e, na semana retrasada, também publiquei vídeos. Isso se dá pela minha identificação com o animal. Tem gente que gosta de cachorro, tem gente que gosta de gato, tem gente que gosta de peixe, tem gente que gosta de passarinho. O animal que eu mais me identifico é o gorila. A ideia do vídeo foi minha”, afirmou.
Ainda de acordo com o chefe de gabinete, o uso da imagem do gorila simboliza força, imponência e superação, sem qualquer intenção discriminatória. Ele acrescentou que, por ser negro, não enxerga racismo no conteúdo e considera exageradas as interpretações que apontam preconceito, classificando a repercussão como fruto de leituras distorcidas.














