Um juiz e seu assessor foram suspensos de suas funções na Comarca de Divinópolis, localizada no Centro-Oeste de Minas Gerais, após denúncias feitas por sete servidoras, estagiárias e ex-estagiárias do Judiciário da cidade. Um dos relatos traz uma descrição perturbadora do “batizado” realizado pelo magistrado. De acordo com reportagem publicada pela rádio Itatiaia, uma das denunciantes, identificada como V, relata que o juiz mostrou para ela e várias outras servidoras uma foto de seu próprio ânus. Ela também denuncia comentários de teor sexual feitos pelo magistrado.
De acordo com o depoimento de uma assistente terceirizada, identificada como W (nome fictício), ao Conselho de Ética do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ela passou por um “ritual” criado pelo juiz ao ingressar na Comarca como estagiária.
“Ele troca seu nome, colocando um nome que ele acha que se parece com o seu, e menciona que a partir daquele momento sua alma será vendida para um demônio específico. Então nós sentamos em uma cadeira, ele colocava uma gravata e uma fralda na cabeça, e nos dava bolachas de arroz como se fossem o corpo de Cristo. Depois, nos dava suco de uva como se fosse o sangue de Cristo.”
Segundo a assistente, um estagiário mais experiente auxiliava o juiz durante o “batizado”. Após as bolachas e o suco de uva, a mulher afirma ter sido obrigada a tomar óleo de copaíba. Ela alega ter sido forçada a ingerir tanto óleo que não conseguiu trabalhar no dia seguinte.
“Ele começa a impor suas próprias regras, afirmando que a partir daquele momento ele é meu Deus e que devo lhe ser fiel e obediente. Diz que não há mais ninguém além dele, que não devo me envolver com advogados ou outros juízes, que as pessoas falam mal dele, mas que ele é uma pessoa boa, e que devo lhe ser fiel. A frase que ele usa é ‘eu sou o teu Deus e você me servirá’.”
“O juiz falou que teve um sonho erótico comigo, em que estávamos pendurados no teto fazendo sexo. Ele nos contava sobre transar com as estagiárias em cima dos processos. Ele fazia os sons. […] Ele dizia que batia nas mulheres porque assim elas se apaixonavam.”
A assistente relata ter ouvido o juiz falar detalhes de natureza sexual sobre seu próprio órgão genital. A reportagem optou por não reproduzir essa parte do depoimento.
Em nota, a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) afirmou ter recebido com serenidade a notícia do afastamento do magistrado e informou que seu departamento jurídico está à disposição para auxiliá-lo na resposta às acusações. A Amagis declarou que não irá comentar sobre as acusações, uma vez que o processo corre em sigilo de justiça, mas expressou confiança de que a melhor decisão será tomada no final do caso.
O juiz em questão ainda não se pronunciou sobre as acusações e seu afastamento, o espaço está aberto para quaisquer posicionamentos.
Em uma nota enviada ao Portal MPA, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou o afastamento do juiz e a abertura de um processo administrativo disciplinar para investigar o assessor do magistrado, que também foi suspenso. O órgão garantiu que ambos terão direito ao contraditório e à ampla defesa.












