O aguardado início das operações do Hospital Regional Universitário de Divinópolis está previsto para o dia 1º de junho de 2026, marcando uma nova etapa para a saúde pública do Centro-Oeste mineiro. No entanto, uma informação importante precisa ser esclarecida à população: a unidade não será de porta aberta, ou seja, os pacientes não poderão procurar atendimento diretamente no local.
O acesso ao hospital será feito exclusivamente por meio da regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), com encaminhamento a partir da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ou de outras unidades de saúde da rede pública.
A superintendente do Hospital Universitário, Cristina Sanches, reforçou que a unidade funcionará como “porta referenciada” e será integrada ao sistema público de saúde. “Estamos vendo muitas pessoas divulgando que é só chegar e será atendido. Não é assim. O hospital será porta referenciada. O paciente vai procurar a unidade básica, a UPA ou será trazido pelo SAMU. O SUS funciona em rede e nós seremos mais um integrante dessa rede”, explicou.
Segundo ela, o hospital será um equipamento de alta complexidade, destinado a atuar em conjunto com os demais hospitais e unidades de saúde. “É um mega hospital, extremamente importante, mas para trabalhar em conjunto com os outros. Somos do SUS para o SUS”, completou.
Primeira fase começa com 29 leitos
A abertura do hospital será feita em etapas. A primeira fase está prevista para começar em 1º de junho com 29 leitos disponíveis. Até setembro deste ano, a expectativa é chegar a 41 leitos, com a contratação de 196 trabalhadores.
Ao todo, estão previstas quatro fases de implantação, com aumento gradual da capacidade hospitalar até atingir 198 leitos até maio de 2027. “Cada fase tem previsão de cerca de três meses para conclusão, aumentando gradativamente os leitos até a capacidade total”, afirmou Cristina Sanches.
Concurso público e contratação de funcionários
Outra dúvida frequente da população é sobre oportunidades de emprego no hospital.
Cristina explicou que, por ser um hospital público administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), o ingresso para cargos da área da saúde será por meio de concurso público nacional regionalizado.
O último concurso da EBSERH ocorreu em 2025, antes da contratualização do hospital com a empresa, formalizada em fevereiro deste ano. A previsão de um novo concurso é para 2027.
Enquanto isso, profissionais aprovados em concursos anteriores para a região poderão ser convocados para atuar em Divinópolis. Até o momento, 195 profissionais já foram chamados.
Já os setores como limpeza, recepção, segurança, manutenção e higienização serão terceirizados, por meio de empresas contratadas via licitação.
A superintendente informou que a contratação desses trabalhadores será feita diretamente pelas empresas vencedoras.
Vereadores visitam hospital e acompanham cronograma
Na manhã de quarta-feira (22/04), vereadores da Câmara Municipal de Divinópolis visitaram as instalações do Hospital Regional Universitário a convite da superintendência.
O objetivo foi apresentar a estrutura física da unidade, a gestão e o cronograma das fases de abertura.
O presidente da Câmara, Israel da Farmácia (Progressistas), destacou a importância da unidade para a região. “A abertura do Hospital Regional Universitário vem resolver um gargalo da saúde do Centro-Oeste mineiro. Os 54 municípios ficarão mais seguros com o hospital operando”, afirmou.
Participaram da visita os vereadores Israel da Farmácia, Vitor Costa, Matheus Dias, Ney Burguer, Flávio Marra, Josafá Anderson, Rodyson do Zé Milton, Walmir Ribeiro e Wesley Jarbas.
Comissão de Saúde levanta preocupações
Apesar do avanço, a visita também trouxe questionamentos.
O vereador Rodyson do Zé Milton, integrante da Comissão de Saúde, afirmou que a estrutura física impressiona, mas apontou preocupações com o prazo de inauguração.
Segundo ele, ainda não foram apresentados equipamentos, mobiliário, estrutura tecnológica e sistemas de informática necessários para o funcionamento. “Eu acho muito apertado para começar a funcionar no dia 1º de junho. Pessoalmente, acredito que não vão conseguir cumprir”, disse.
Outra preocupação levantada pelo parlamentar é em relação ao fluxo de regulação, principalmente na área de ortopedia.
Segundo ele, atualmente cerca de 47% dos atendimentos da UPA são ortopédicos, principalmente relacionados a acidentes de moto, e ainda não há um plano claro para absorver essa demanda.
Rodyson criticou o fato de pacientes de Divinópolis e região poderem ser encaminhados para cidades como Bambuí, enquanto pacientes de outros municípios poderão vir para Divinópolis. “Pode acontecer de um paciente de Divinópolis com pé quebrado ir para Bambuí, enquanto um paciente de Bambuí venha para Divinópolis. Isso nos preocupa muito”, afirmou.
Ele também lamentou que a Comissão de Saúde da Câmara não tenha participado das discussões sobre a definição do fluxo de atendimento.
Outro ponto destacado é a frustração da população da região do hospital, que não poderá buscar atendimento direto na unidade mesmo estando próxima. “Às vezes a pessoa mora ali do lado, está vendo o hospital da janela e não poderá ser atendida. Terá que procurar uma UPA ou outra unidade primeiro”, pontuou.
Hospital é aguardado há anos
A conclusão do Hospital Regional é considerada uma das principais conquistas para a saúde pública de Divinópolis e de toda a macrorregião Centro-Oeste, beneficiando diretamente 54 municípios.
Com a participação da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e gestão da EBSERH, a expectativa é que a unidade também fortaleça a formação acadêmica e a oferta de serviços especializados.
Apesar do avanço, a principal missão agora será esclarecer a população sobre o funcionamento do hospital e garantir que a rede de regulação consiga absorver a demanda de forma eficiente.














