"Sem água como iria lavar a
louça?", questiona dona de restaurante. Foto: Diogo Silva
Copasa investe mais de R$12 milhões na
região, movimentando a vida e negócios dos moradores
Por Victor de
Castro
Quando a chef Janine Naione decidiu
abrir seu restaurante, no bairro Interlagos, há 10 anos, a
realidade era diferente: “Eu me lembro de quando eu fui construir,
que a gente tinha que reservar tambores de água. Porque havia o
risco de faltar. Quando abri o restaurante tinha medo, sem água
como iria lavar a louça? Preparar tudo? Não tinha como.”
Abastecimento encorajou
Janine a abrir restaurante aos domingos. Foto: Diogo
Silva
Hoje em dia o negócio é um sucesso. O
restaurante funciona de domingo a domingo e fica cheio na hora do
almoço, além de entregar marmitas em toda a cidade. “Abrir ao
domingos foi uma decisão que só tomei quando vi que não tinha mais
falta d’água. Antes seria impossível”, conta.
“Abrir ao domingos foi uma decisão que só tomei quando vi que
não tinha mais falta d’água. Antes seria impossível”
Na mesma região, mas no bairro Ponte
funda, o jornalista Alef Oliveira está fazendo obras em sua casa.
Casado há dois anos, ele diz não sofrer com a falta de água: “Eu
ouvia muita reclamação antes. Meus sogros já moravam aqui no bairro
e sempre tinha problemas. Mas depois a gente viu que foi
melhorando. Desde que comprei a casa, nunca houve falta de
abastecimento e agora estamos até fazendo uma reforma, gastando
muita água e não falta mais”.
Morador do Ponte Funda lava
o carro faz obras em casa. Foto: Diogo Silva
A reforma do Alef e o crescimento do
restaurante da Janine seriam impossíveis sem os investimentos da
Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para garantir o
abastecimento de água na região Sudeste de Divinópolis. Só no
último ano, foram mais de R$12 milhões investidos na ampliação e
melhoria do sistema. Em bairros como Aeroporto, Interlagos, Maria
Peçanha e Nossa Senhora das Graças são instaladas adutoras e
subadutoras que ligam as duas estações de tratamento.
“São mais de 14 quilômetros de
adutoras. Elas vão beneficiar principalmente a região sudeste do
município e possibilitar até uma transferência de água entre a ETA
do Rio Pará com a ETA Itapecerica. Então vai ter uma flexibilidade
no sistema, deu um problema na ETA Pará, a gente manda água da ETA
Itapecerica para atender a região. Essa flexibilidade vai aumentar
a capacidade de transporte, de atendimento à população”, explica o
gerente de Expansão Centro-Oeste da Copasa, Fabrício Resende.
Fabrício Resende, gerente de
Expansão Centro-Oeste da Copasa. Foto: Diogo Silva
Michele relembra época da
falta dágua constante no bairro. Foto: Diogo Silva
Moradora do bairro Nações há mais de
30 anos, Michele Alves lembra as dificuldades enfrentadas na região
numa época em que a falta d’água era comum. “Já teve época da gente
ficar dias, semanas sem água. Sábado e domingo era certeza, nem uma
gota. Minha casa tinha duas caixas, mesmo assim era complicado”,
relembra a dona de casa. A população da região já sente o impacto
das obras. “Já tem um tempo que não ouço nenhum vizinho reclamar.
Antes era toda semana”, destaca Michele.
“Já tem um tempo que não ouço nenhum vizinho reclamar. Antes era
toda semana”
Impactos em toda a
cidade
Estação de Tratamento de
Água (ETA) Itapecerica em Divinópolis. Foto: Diogo
Silva
As novas adutoras garantirão o
funcionamento do sistema durante períodos de estiagem e em
eventuais interrupções durante manutenções. Além disso, a
capacidade de produção de água da ETA Rio Pará dever dobrar com a
implantação de mais de 9.500 metros de redes para distribuição. O
gerente regional da Copasa, Madson Brandão, reforça que essas obras
impactam em toda a cidade.
“A região Sudeste, que era uma região
crítica, nos últimos anos foi uma das mais beneficiadas por essas
obras. Isso beneficia toda a região, porque como a gente consegue
otimizar a distribuição de água para lá, isso gera um reflexo
para outras regiões. Hoje o sistema aqui de Divinópolis produz
algo em torno de 55 milhões de litros por dia, sendo 15%
produzido na Eta do Rio Pará e os 85% na Eta do
Itapecerica. Então isso reflete em toda a cidade”.
Redução das
perdas
“Divinópolis teve destaque no ano de 2024, no nível de redução
de perdas. A gente conseguiu chegar no número muito bom,
baixando algo em torno de 10% da perda da cidade e isso
aumenta o fornecimento de água para toda a população”
Outra forma de garantir que a água
chegue a toda população é com a chamada redução de perdas. São
ações para diminuir o número de vazamentos, fraudes nas ligações
(gatos) e defasagem de hidrômetros.
Segundo a Copasa, em dezembro de
2020, o índice de perdas era de 40,5% em Minas. Ou seja, quase
metade da água tratada se perdia antes de chegar às casas. Em junho
de 2025, o índice atingiu 37,6%. Divinópolis é destaque nessa
redução.
Madson Brandão, gerente
regional da Copasa. Foto: Diogo Silva
“A gente está aumentando as equipes e
fazendo substituições de redes para reduzir o vazamento e o tempo
de correção. Com isso, a gente conseguiu reduzir a perda na cidade.
Às vezes a gente também substitui o hidrômetro, isso também
impacta, porque o reloginho quando começa a perder precisão, ele
começa a medir menos, então gera também uma perda. Ela não é
visível, mas impacta nos indicadores. Divinópolis teve destaque no
ano de 2024, no nível de redução de perdas. A gente conseguiu
chegar no número muito bom, baixando algo em torno de 10% da
perda da cidade e isso aumenta o fornecimento de água para toda a
população”, explica o gerente regional, Madson Brandão .
Diariamente, a Companhia perde 253
litros de água por ligação. O objetivo é reduzir para 216 litros
por ligação/dia, nos próximos oito anos.
Estação de Tratamento de
Água (ETA) Itapecerica em Divinópolis. Foto: Diogo
Silva