Representantes de famílias atípicas de Divinópolis participaram ao vivo do programa Bom Dia Divinópolis 2, na manhã desta sexta-feira, para cobrar das lideranças políticas o empenho de recursos destinados ao atendimento de crianças com deficiência no município. Durante a entrevista, Juliana e Flávia fizeram um apelo público para que emendas parlamentares prometidas sejam efeetivamente destinadas a instituições que prestam assistência às famílias.
Segundo as participantes, entidades como a APAE e o Instituto Helena Antipoff desempenham papel essencial no acolhimento e no acompanhamento terapêutico de crianças com deficiência, além de oferecer suporte às famílias.
Juliana destacou que, apesar do trabalho realizado pelas instituições, a demanda por atendimento no município é muito maior que a capacidade atual. De acordo com ela, cerca de 2 mil crianças aguardam na fila da saúde por atendimento especializado em áreas como neurologia, psicologia, fisioterapia e acompanhamento multidisciplinar.
Além dessas instituições, ela citou também o Centro Especializado em Reabilitação, que presta atendimento em Divinópolis, mas que não consegue absorver toda a demanda existente.
Durante a entrevista, Juliana lembrou ainda que, em 2024, o prefeito Gleidson Azevedo anunciou a publicação de uma portaria do Ministério da Saúde prevendo cerca de R$ 8,2 milhões para a construção de um novo centro de reabilitação no município, que ampliaria a capacidade de atendimento. Segundo ela, porém, o projeto segue sem avanços concretos desde então. “Temos crianças esperando há quatro anos na fila, outras há três anos e meio. A criança não pode esperar, porque o cérebro absorve muito mais estímulos até os 10 anos. Depois disso, a recuperação fica muito mais difícil”, afirmou.
Ela também ressaltou que a situação gera impacto direto nas famílias. “Quando a criança não recebe o tratamento adequado, a família adoece junto. Muitas mães vivem em situação de desespero”, relatou.
Outro ponto destacado foi o prazo para o empenho de emendas parlamentares destinadas às instituições. Segundo as representantes, o limite para garantir esses recursos no orçamento é o dia 15 de março, devido às restrições do calendário eleitoral. Caso o valor não seja empenhado até essa data, a liberação pode ficar comprometida neste ano.
Flávia reforçou que as emendas parlamentares são fundamentais para garantir a continuidade e a ampliação dos serviços oferecidos pelas instituições parceiras do município. “Essas entidades ajudam a oferecer tratamento gratuito, mas precisam de recursos para manter e ampliar o atendimento”, explicou.
Ela afirmou ainda que, mesmo com o esforço do terceiro setor, a quantidade de crianças que precisam de acompanhamento especializado cresce constantemente. “Hoje nós temos uma demanda muito grande e as entidades acabam enxugando gelo, porque não recebem o recurso necessário para ampliar o número de vagas”, disse.
Durante a entrevista, Flávia também destacou que muitas famílias enfrentam dificuldades para acessar direitos já garantidos por lei. Segundo ela, além da fila de atendimento, outro problema recorrente é a realização de consultas por teleatendimento, que muitas vezes não permitem fechar diagnósticos completos.
Nesses casos, os médicos acabam solicitando exames mais complexos, como avaliações neuropsicológicas, cujo custo pode chegar a cerca de R$ 3.800, valor considerado inviável para grande parte das famílias.
As representantes reforçaram que a prioridade absoluta prevista na legislação para crianças e adolescentes precisa ser efetivamente aplicada nas políticas públicas locais. Para elas, ampliar a estrutura de atendimento e garantir recursos para as instituições especializadas é essencial para reduzir a fila e garantir tratamento adequado às crianças.














