A tarifa de energia elétrica dos consumidores atendidos pela Cemig poderá ficar mais cara a partir de junho de 2026. A proposta preliminar da Aneel prevê reajuste de 5,2% para os clientes residenciais da companhia em Minas Gerais.
A definição oficial do reajuste ainda depende de aprovação da agência reguladora, que irá analisar o processo durante a reunião deliberativa marcada para a próxima terça-feira (26), em Brasília. Caso seja aprovado, o novo percentual começará a impactar as contas emitidas em junho, com vencimento previsto para julho.
Segundo a Cemig, o efeito nas faturas ocorrerá de forma gradual. Isso porque parte do consumo poderá ser calculada com a tarifa antiga, referente ao período anterior ao reajuste, e outra parte já com os novos valores definidos pela Aneel.
A proposta prevê efeito médio de 6,5% para todas as classes de consumidores da distribuidora, que atualmente atende cerca de 9,5 milhões de clientes em Minas Gerais. Apesar do aumento, a companhia destaca que o percentual sugerido é inferior ao aplicado em outras grandes distribuidoras do país, especialmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde os reajustes superaram 10% em 2026.
Entre os principais fatores que influenciaram a revisão tarifária estão os custos relacionados à geração de energia e o crescimento dos incentivos destinados à Geração Distribuída (GD), principalmente sistemas de energia solar.
O gerente de Regulação de Distribuição da Cemig, Giordano Bruno Braz de Pinho Matos, explicou que as distribuidoras funcionam como elo entre os consumidores e toda a cadeia do setor elétrico. Segundo ele, os valores arrecadados nas contas são destinados não apenas à distribuidora, mas também ao pagamento de geração, transmissão, encargos setoriais e tributos federais, estaduais e municipais.
De acordo com a proposta preliminar da Aneel, apenas 27,5% do valor pago na conta de energia ficam com a Cemig Distribuição para cobrir investimentos, manutenção da rede e custos operacionais. Os outros 72,5% são destinados à compra de energia, encargos de transmissão, tributos e subsídios do setor elétrico.
A agência também destacou o peso crescente dos subsídios no valor da tarifa. Atualmente, cerca de 20% da conta de energia dos brasileiros corresponde ao financiamento de incentivos e políticas públicas do setor elétrico. Somente em 2025, os subsídios representaram aproximadamente R$ 53 bilhões pagos pelos consumidores em todo o país.
Em Minas Gerais, os clientes da Cemig contribuíram com cerca de R$ 4,2 bilhões em subsídios durante 2025. Desse total, grande parte foi destinada ao financiamento da geração distribuída e de fontes incentivadas, principalmente a energia solar.
A Tarifa Social de Energia Elétrica, voltada para famílias de baixa renda, também está entre os programas financiados pela cobrança nas contas de luz, beneficiando mais de 1 milhão de famílias mineiras.












