Ligado à Fundição Guarani e sócio-fundador do Lions Pioneiro, ex-prefeito deixou contribuições na modernização administrativa, na educação, na cultura e no desenvolvimento urbano; exposição será aberta em 3 de novembro
A trajetória de Antônio Martins Guimarães reúne capítulos importantes da história de Divinópolis. Industrial ligado à Fundição Guarani, integrante do movimento leonístico e prefeito entre 1973 e 1977, ele participou de iniciativas que ajudaram a estruturar a administração municipal e acompanhar o crescimento da cidade. No ano do centenário de seu nascimento, sua vida será lembrada em uma exposição promovida pela família em parceria com a Câmara Municipal.
A mostra “O Centenário de Antônio Martins Guimarães — 1926–2026: O Prefeito da Transformação” será aberta em 3 de novembro, às 13h, no Espaço GTO, na sede do Legislativo. Documentos, fotografias, recortes de jornais e outros registros históricos apresentarão ao público diferentes momentos de sua trajetória. A visitação seguirá até 13 de novembro, das 12h às 18h.
Uma vida construída entre o trabalho e a participação comunitária
Antônio Martins nasceu em 21 de novembro de 1926, na região hoje correspondente a Nova Serrana. Mudou-se ainda criança para Divinópolis, onde estudou na Escola Padre Matias Lobato. Posteriormente, concluiu os estudos em Belo Horizonte e iniciou atividades empresariais ligadas ao setor de fundição. Sua atuação no segmento incluiu a presidência da Associação dos Fundidores do Centro-Oeste.
Em pronunciamento preservado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado Márcio Miranda relatou, em 1994, que Antônio veio de uma família de dez filhos e começou a ajudar nas despesas domésticas ainda menino. Antes de se tornar empresário, trabalhou como aprendiz de fundição, vendedor de produtos fundidos e comerciante. O registro apresenta uma trajetória profissional construída em diferentes etapas do setor industrial.
Fundição Guarani: presença na história industrial
A ligação de Antônio Martins com a Fundição Guarani está documentada no acervo legislativo de Divinópolis. A justificativa da Lei Municipal nº 8.010, de 2015, que homenageou o fotógrafo Hilton Laini de Oliveira, o Neno, informa que ele começou sua vida profissional na antiga fundição de Antônio Martins.
O documento revela um encontro entre trajetórias conhecidas da cidade: a do industrial que chegaria à Prefeitura e a do trabalhador que posteriormente se tornaria um fotógrafo reconhecido pelas famílias divinopolitanas.
Antônio também atuou na siderurgia. Segundo o pronunciamento de Márcio Miranda, adquiriu a Sinduminas em 1970, ampliou suas atividades e promoveu mudanças na produção. Na mesma homenagem, o parlamentar destacou a instalação de um restaurante para os empregados no ambiente da fábrica.
Lions Pioneiro e atuação social
A participação comunitária foi outra dimensão de sua vida. Antônio Martins foi sócio-fundador do Lions Clube Divinópolis Pioneiro e presidiu a Apae e o Instituto Helena Antipoff, conforme os registros biográficos divulgados por ocasião do centenário.
Um relato do acervo EmRedes sobre Nicolaas Gerardus Plasschaert, conhecido como Frei Mateus, detalha sua colaboração com a Escola Vocacional São Francisco de Assis. Ao buscar apoio do Lions para a instituição, o religioso convidou Antônio Martins para presidi-la.
A escola combinava alfabetização com oficinas de marcenaria, serralheria, eletricidade e artesanato. Segundo o relato, Antônio acompanhava os estudantes pessoalmente e deixava suas atividades na fundição para entregar boletins e orientar os alunos sobre o desempenho escolar. Essa atuação antecedeu seu mandato como prefeito.
Quatro anos à frente da Prefeitura
A relação oficial da Câmara Municipal identifica Antônio Martins Guimarães como o 27º prefeito de Divinópolis, com mandato de 31 de janeiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977. Seu vice foi Jaime Martins do Espírito Santo.
Antônio sucedeu Sebastião Gomes Guimarães e foi sucedido por Fábio Botelho Notini. Seu período à frente do Executivo ficou associado a mudanças na organização administrativa e à execução de projetos de desenvolvimento urbano.
Uma retrospectiva histórica do Jornal Agora destaca que sua gestão aproveitou e aperfeiçoou o planejamento elaborado anteriormente, especialmente na administração de Walchir Resende. Entre as iniciativas estavam o Projeto Alfa, destinado à modernização do Centro, e o Projeto Beta, voltado à urbanização dos bairros.
Modernização do cadastro municipal
Uma das contribuições documentadas pelos dois poderes municipais foi a modernização do Setor de Cadastro. A Prefeitura registra que Ricardo Moreira começou a trabalhar na administração em 1973, aos 22 anos, durante a gestão Antônio Martins, com a missão de informatizar o setor.
A Câmara também recuperou esse episódio ao publicar a história de Ricardo. O relato informa que ele trouxe experiência adquirida em trabalhos de cadastro de outros municípios e foi convidado para modernizar o sistema divinopolitano.
Tratava-se de uma mudança na estrutura interna da Prefeitura, relacionada à organização de informações essenciais para acompanhar a ocupação urbana e administrar o município. Na avaliação de Ricardo Moreira, reproduzida pelo Legislativo, aquele período representou um divisor de águas para o setor.
Educação superior e articulação regional
No campo educacional, a gestão participou da estruturação do Campus Universitário de Divinópolis, instituído pela Lei Municipal nº 1.112, de 13 de setembro de 1974. Conforme levantamento do Jornal Agora, a Prefeitura destinou o terreno onde hoje está localizada a unidade da Universidade do Estado de Minas Gerais.
Também em 1974 foi criada a Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Itapecerica, a Amvi, tendo Antônio Martins como primeiro presidente. A iniciativa ampliava a articulação entre Divinópolis e os municípios da região.
Biblioteca e preservação da memória cultural
A cultura também reúne registros de sua administração. Segundo a Prefeitura, a Biblioteca Municipal foi reativada durante sua gestão, no Centro Cultural do Povo, na Praça Governador Benedito Valadares.
O acervo havia sido recolhido ao antigo Colégio Frei Orlando após a demolição do prédio onde funcionava, em 1965. A retomada permitiu restabelecer o atendimento ao público. Em 1976, a instituição recebeu a denominação Biblioteca Pública Municipal Ataliba Lago, em homenagem ao jornalista e escritor, vinculada à Lei nº 1.188.
Outro marco aparece no inventário cultural do município: a criação do Setor de Artes e Museu, pela Lei nº 1.133, de 30 de dezembro de 1974, sancionada por Antônio Martins. O setor passou a funcionar no Centro Cultural do Povo, onde também foi abrigado o Centro Histórico, integrando a trajetória institucional de preservação da memória de Divinópolis.
Reconhecimento como cidadão divinopolitano
A ligação de Antônio Martins com a cidade recebeu reconhecimento formal após sua passagem pela Prefeitura. A relação oficial de homenageados da Câmara registra a concessão do título de Cidadão Honorário de Divinópolis em 1985.
Sua memória também foi incorporada ao próprio Legislativo. A Resolução nº 88, de 3 de setembro de 1996, denominou “Prefeito Antônio Martins Guimarães” a sala destinada ao Arquivo Geral da Câmara Municipal. O processo teve origem em proposta do vereador Rodrigo Kaboja.
Atuação pública e morte em 1994
Depois de deixar a Prefeitura, Antônio Martins continuou na administração pública. Conforme registro da Assembleia Legislativa, foi diretor administrativo da Copasa entre 1980 e 1982 e diretor de planejamento da Imprensa Oficial em 1992.
Morreu em 6 de junho de 1994, aos 67 anos, em acidente automobilístico na MG-050, próximo a Itaúna.
Agora, a exposição do centenário reúne registros para apresentar essa trajetória a diferentes gerações. A homenagem permite revisitar tanto a atuação do prefeito quanto a do industrial e participante de instituições sociais, aproximando sua história pessoal das transformações vividas por Divinópolis ao longo do século XX.
Serviço
- Exposição: O Centenário de Antônio Martins Guimarães — 1926–2026: O Prefeito da Transformação.
- Abertura: 3 de novembro de 2026, às 13h.
- Visitação: de 3 a 13 de novembro, das 12h às 18h.
- Local: Espaço GTO — Câmara Municipal de Divinópolis.
- Endereço: Rua São Paulo, nº 277, Centro.
- Realização: família de Antônio Martins Guimarães e Câmara Municipal de Divinópolis.















