A escritora Adélia Prado, de 90 anos, sofreu um acidente doméstico nesta segunda-feira (19). Segundo familiares, a poetisa não precisou de hospitalização, passa bem, permanece lúcida e segue o processo de recuperação na sua casa em Divinópolis.
Antes do acidente, Adélia já vinha se recuperando em ritmo lento de um quadro que envolve sepse — uma resposta desregulada do organismo a uma infecção, que provoca disfunção orgânica. Mesmo com o ocorrido recente em sua residência, os parentes reforçaram que a autora continua estável e lúcida.
Em maio, a poetisa ficou internada por 15 dias para tratar uma infecção sistêmica no Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis. Foi a segunda internação dela em 2026. Em janeiro, Adélia foi hospitalizada após sofrer uma queda em casa, quando teve fraturas no fêmur, no cotovelo e no joelho. Após passar por cirurgias, recebeu alta em fevereiro.
No cenário literário, Adélia Prado é finalista na categoria Poesia da 68ª edição do Prêmio Jabuti com a obra “O jardim das oliveiras”. Sua filha, Ana Beatriz Prado, afirmou que representará a mãe na cerimônia de premiação caso o livro seja o vencedor da categoria.
Saiba mais sobre Adélia Prado
Nascida em Divinópolis, em 13 de dezembro de 1935, Adélia Prado construiu uma trajetória marcada pela originalidade poética, pela linguagem simples e pela abordagem do cotidiano sob a perspectiva feminina.
Os primeiros poemas de Adélia Prado foram publicados em jornais de Divinópolis e Belo Horizonte. Em 1971, dividiu com Lázaro Barreto a autoria do livro A Lapinha de Jesus. A estreia individual ocorreu em 1975, quando seus poemas chegaram às mãos do crítico Affonso Romano de Sant’Anna, que os apresentou a Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond encaminhou os textos à Editora Imago, resultando na publicação de Bagagem, obra que chamou a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.
Em 1978, Adélia publicou O Coração Disparado, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti. No ano seguinte, deixou o magistério para se dedicar exclusivamente à literatura. Além da poesia, lançou obras em prosa, como Solte os Cachorros (1979) e Cacos para um Vitral (1980). Também atuou no teatro, dirigindo montagens de textos de Ariano Suassuna e Dias Gomes.
Entre 1983 e 1988, exerceu o cargo de chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis, função que voltou a ocupar em 1993. Sua obra passou a ser estudada em universidades brasileiras e estrangeiras, incluindo a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. A autora também participou de eventos literários no Brasil e no exterior, como a Semana Brasileira de Poesia, em Nova York.
A produção literária de Adélia Prado é marcada por uma linguagem direta e coloquial, que aborda temas como fé católica, família, cotidiano e a experiência feminina. Sua poesia destaca o olhar da mulher comum, sem caráter militante, e consolidou a autora como uma das referências centrais da poesia brasileira.
Casada desde 1958 com o bancário José Assunção de Freitas, Adélia é mãe de cinco filhos.
Reconhecimento recente
Em 2024, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Camões, considerado o mais importante da literatura em língua portuguesa. Em setembro de 2025, publicou O Jardim das Oliveiras, seu primeiro livro inédito em 12 anos, enquanto suas obras anteriores foram reeditadas pelo Grupo Record.
No ano passado, também foi agraciada com uma bênção apostólica do Papa Leão XIV, em celebração ao seu aniversário, após um pedido encaminhado pela Diocese de Divinópolis. Recentemente, ela foi cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, ganhando reconhecimento de leitores no exterior.
Atualmente, o Museu Histórico de Divinópolis tem uma exposição sobre ela.
Aos 90 anos, Adélia Prado segue ativa, participando de encontros literários, publicando textos e emocionando leitores no Brasil e no exterior, mantendo-se como uma das mais relevantes escritoras vivas da literatura brasileira.














