A poetisa e escritora Adélia Prado, de 90 anos, segue internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis–MG. A autora sofreu uma queda em sua residência na semana passada, que resultou em fraturas no fêmur, no punho e no cotovelo.
Durante a semana, Adélia foi submetida a duas cirurgias ortopédicas, realizadas pela equipe médica do hospital. Além das fraturas, a escritora também apresenta complicações renais e está sendo monitorada por uma equipe multiprofissional.
Adélia Prado permanece no CTI e, até o momento, não há previsão de alta médica.
Reconhecida nacional e internacionalmente:
Reconhecida nacional e internacionalmente, a escritora comemorou recentemente seus 90 anos e recebeu importantes homenagens. Ao longo de sua trajetória, foi agraciada com dois dos mais relevantes prêmios da literatura em língua portuguesa, consolidando seu lugar como uma das maiores vozes da poesia brasileira contemporânea.
Ela contou mais sobre a sua trajetória, em uma entrevista na TV Globo, no programa em Conversa com Bial,. Na ocasião, ela apresentou seu novo livro de poemas, Jardim das Oliveiras, previsto para ser lançado em dezembro, às vésperas de seu aniversário de 90 anos.
Com a sensibilidade, a espiritualidade e a profundidade que definem sua obra, a autora fala com franqueza sobre temas como sexo, morte e Deus — assuntos que sempre abordou com coragem e lirismo singular.
Nascida em Divinópolis:
Nascida em Divinópolis, em 13 de dezembro de 1935, Adélia Prado construiu uma trajetória marcada pela originalidade poética, pela linguagem simples e pela abordagem do cotidiano sob a perspectiva feminina.
Filha do ferroviário João do Prado Filho e da dona de casa Ana Clotilde Corrêa, Adélia iniciou os estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato. Após a morte da mãe, em 1950, escreveu seus primeiros versos. Formou-se professora em 1953 pela Escola Normal Mário Casassanta e passou a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Melo Viana Sobrinho, onde atuou por mais de duas décadas. Em 1973, concluiu o curso de Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis.
Os primeiros poemas de Adélia Prado foram publicados em jornais de Divinópolis e Belo Horizonte. Em 1971, dividiu com Lázaro Barreto a autoria do livro A Lapinha de Jesus. A estreia individual ocorreu em 1975, quando seus poemas chegaram às mãos do crítico Affonso Romano de Sant’Anna, que os apresentou a Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond encaminhou os textos à Editora Imago, resultando na publicação de Bagagem, obra que chamou a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.
Em 1978, Adélia publicou O Coração Disparado, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti. No ano seguinte, deixou o magistério para se dedicar exclusivamente à literatura. Além da poesia, lançou obras em prosa, como Solte os Cachorros (1979) e Cacos para um Vitral (1980). Também atuou no teatro, dirigindo montagens de textos de Ariano Suassuna e Dias Gomes.
Entre 1983 e 1988, exerceu o cargo de chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis, função que voltou a ocupar em 1993. Sua obra passou a ser estudada em universidades brasileiras e estrangeiras, incluindo a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. A autora também participou de eventos literários no Brasil e no exterior, como a Semana Brasileira de Poesia, em Nova York.
A produção literária de Adélia Prado é marcada por uma linguagem direta e coloquial, que aborda temas como fé católica, família, cotidiano e a experiência feminina. Sua poesia destaca o olhar da mulher comum, sem caráter militante, e consolidou a autora como uma das referências centrais da poesia brasileira.
Casada desde 1958 com o bancário José Assunção de Freitas, Adélia é mãe de cinco filhos.














