Os candidatos ao Governo de Minas Gerais em 2026 apresentam planos de governo que refletem um amplo espectro político e ideológico, da esquerda revolucionária à centro-direita liberal. Na prática, cada bloco de candidaturas propõe um caminho diferente para lidar com os principais desafios do estado.
A disputa se divide, de forma geral, em quatro frentes. Candidaturas de esquerda (PCO, PCB, PSTU, UP e Patrus Ananias). Candidaturas de centro desenvolvimentista e regionalista (Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo). A candidatura municipalista de Cleitinho, centrada no discurso “o povo primeiro”. E candidaturas de centro-direita liberal e técnica (Mateus Simões, Flávio Roscoe e Ben Mendes), voltadas à atração de investimentos.
Quem são os principais candidatos ao Governo de Minas Gerais em 2026?
- Esquerda: PCO, PCB, PSTU, UP e Patrus Ananias (PT).
- Centro desenvolvimentista/regionalista: Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB).
- Municipalista: Cleitinho (Republicanos), atual senador e candidato ao Executivo estadual.
- Centro-direita liberal/técnica: Mateus Simões (PSD, atual governador), Flávio Roscoe (PL) e Ben Mendes (Missão).
- Apesar das diferenças, há convergências em saúde, educação em tempo integral e combate ao feminicídio.
Antes de entrar nos detalhes de cada bloco, veja também: a cobertura completa das propostas de Cleitinho e o histórico de gestão de Mateus Simões à frente do estado.
Em que os candidatos concordam apesar das diferenças ideológicas?
Apesar das profundas divergências entre os blocos, existem eixos de consenso prático entre quase todos os candidatos ao Governo de Minas Gerais em 2026. Por isso, vale destacar os pontos em que as propostas se aproximam:
- Conclusão de hospitais regionais. Candidatos de diferentes espectros, como Cleitinho, Kalil, Professor Túlio Lopes e Ben Mendes. Estes defendem concluir as obras e garantir o funcionamento pleno das unidades de saúde regionais.
- Expansão do ensino em tempo integral. A ampliação de escolas de tempo integral e o fortalecimento de cursos técnicos aparecem como prioridade em quase todas as propostas. Na de Mateus Simões e Kalil a Cleitinho e Patrus Ananias.
- Enfrentamento à violência contra a mulher. O combate ao feminicídio e o fortalecimento de redes de acolhimento são unânimes, variando o modelo de execução. Da ampliação de monitoramento por tornozeleiras, defendida por Cleitinho, à interiorização de delegacias, proposta por Patrus Ananias e Gabriel Azevedo.
- Parceria com os municípios: Kalil, Cleitinho e Gabriel Azevedo convergem ao defender a descentralização de decisões e maior cooperação com prefeituras e consórcios municipais.
Segundo o Estado de Minas, filas e falhas na atenção primária são reconhecidas pelos seis principais candidatos ao Governo de Minas como um problema comum, ainda que as soluções propostas variem bastante entre eles.
Qual é a maior divergência entre os planos de governo?
Consequentemente, o grande divisor de águas entre as candidaturas está no papel do Estado na economia. Nos serviços públicos, especialmente em relação às empresas estatais mineiras.
Enquanto PCB, PSTU, UP, PCO e Patrus Ananias defendem a reestatização total da Copasa e da Cemig, candidatos de direita e centro-direita, como Ben Mendes e Flávio Roscoe, incentivam parcerias público-privadas (PPPs) em infraestrutura e no sistema prisional como caminho para atrair investimentos.
Para acompanhar outros ângulos da disputa eleitoral, confira também: mais notícias sobre as eleições 2026 em Minas Gerais e as propostas de Gabriel Azevedo para a gestão estadual.
Como cada bloco pensa a dívida do estado e o Propag?
A dívida de Minas Gerais, que ultrapassa R$ 200 bilhões, atravessa praticamente todos os planos de governo apresentados para 2026. Mateus Simões, Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo defendem o equilíbrio fiscal e a renegociação da dívida por meio de programas oficiais, como o Programa de Recuperação Fiscal (Propag).
Já PCB, PSTU e UP pregam a ruptura com o Propag e a realização de uma auditoria cidadã para suspender o pagamento de parcelas que consideram ilegítimas. Ainda assim, mesmo dentro do campo mais à direita, há variações: Cleitinho, por exemplo, propõe a renegociação da dívida com a União e a revisão de incentivos fiscais, mantendo apenas os que gerarem empregos.
O que separa as propostas para educação e segurança pública?
Sobretudo no tema da militarização escolar, o contraste entre os blocos fica evidente. Cleitinho e Ben Mendes propõem manter ou expandir o modelo de escolas cívico-militares e colégios Tiradentes, enquanto PCB, PSTU, UP e Patrus Ananias exigem o fim imediato da militarização escolar.
Em síntese, o tema da segurança se conecta também às propostas de enfrentamento à violência contra a mulher, com modelos distintos de execução, mas objetivos convergentes entre a maioria das candidaturas.
Por que essas propostas importam para o eleitor mineiro?
Entender os planos de governo dos candidatos ao Governo de Minas Gerais em 2026 ajuda o eleitor a comparar não apenas discursos de campanha. Também os compromissos formais registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que passaram a ser obrigatórios para candidatos a prefeito, governador e presidente desde 2009.
Portanto, ao votar, o eleitor mineiro está escolhendo entre modelos concretos de gestão da dívida estadual, das empresas públicas, da rede de saúde e da educação. Por fim, temas que vão impactar diretamente o dia a dia do estado no próximo mandato.















