Durante o debate eleitoral promovido pela Rede Bandeirantes na noite deste domingo (16), os candidatos ao Governo de Minas Gerais abordaram de forma contundente a questão da dívida do estado com a União, com foco especial no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O tema foi o primeiro a ser discutido na ocasião e revelou diferentes perspectivas sobre a renegociação e as estratégias para lidar com o débito.
O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), abriu o bloco de debates criticando duramente o Propag, alegando que o programa de renegociação da dívida mineira com a União foi uma “agressão” ao estado. Kalil afirmou que essa política de renegociação, que visa facilitar o pagamento de dívidas estaduais, teria contribuído para tornar Minas Gerais “absolutamente ingovernável” em um período de cinco anos. Ele ressaltou que o estado não depende mais diretamente do governo federal, pois frequenta Brasília para buscar soluções, mas criticou quem aceitou essa condição, alegando que a medida prejudicou a gestão estadual.
O candidato Cleitinho Azevedo (Republicanos) destacou a importância do diálogo como solução para a crise financeira. Segundo ele, a melhor estratégia seria rever as isenções fiscais concedidas a empresas e aumentar a arrecadação estadual. Azevedo afirmou que, mesmo que algum candidato prometa quitar a dívida em quatro anos, essa meta seria irrealista. Ele garantiu que, caso seja eleito, estará em Brasília no primeiro dia de mandato para negociar diretamente a dívida com o governo federal, demonstrando a necessidade de uma abordagem realista e negociada.
Já Flávio Roscoe (PL) defendeu a mobilização da bancada federal para pressionar Brasília a reavaliar os termos do débito. Ele sugeriu que o aumento da arrecadação e da produtividade do estado seriam caminhos essenciais, incluindo a utilização de tecnologias modernas, como inteligência artificial, para ampliar a eficiência na gestão dos recursos públicos. Roscoe enfatizou a importância de ampliar a receita estadual como estratégia de longo prazo.
O ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), trouxe à tona uma estimativa de que Minas Gerais possui uma dívida de aproximadamente R$ 200 bilhões com a União. Ele explicou que o estado optou por pagar essa dívida, mas sem os encargos de juros, o que demandaria uma gestão fiscal rigorosa. Azevedo afirmou que o caminho para essa quitação passa por não gastar mais do que arrecada, além de propor uma revisão nos subsídios concedidos a empresas mineiras, buscando criar maior equilíbrio fiscal.
Por fim, o atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), reforçou sua postura de que o estado cumpre suas obrigações financeiras. Segundo ele, atualmente, a dívida está compatível com a capacidade de pagamento do caixa estadual, embora com dificuldades. Simões destacou que o primeiro passo para melhorar a situação seria levar ao governo federal uma mensagem clara de que, se o presidente da República deseja receber pelo que Minas gera, deve gastar em favor do estado pelo menos o que arrecada, reforçando a necessidade de uma negociação direta com Brasília.
O debate contou ainda com a presença de candidatos como Flávio Roscoe, Mateus Simões, Cleitinho Azevedo, Gabriel Azevedo e Alexandre Kalil. O candidato do PT, Patrus Ananias, comunicou na sexta-feira (14) sua ausência, justificando que estaria em São Paulo participando do lançamento da candidatura de Lula à reeleição, compromisso assumido anteriormente.
A discussão sobre a dívida com a União revela o quanto essa questão é central na disputa pelo governo de Minas Gerais, envolvendo estratégias de negociação, gestão fiscal e relacionamento com o governo federal.












