O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou que o julgamento das suspeitas envolvendo o ministro André Mendonça será realizado no dia 23 de setembro. A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, neste sábado (12), após análise das manifestações do ministro Alexandre de Moraes, que levantaram questionamentos sobre a condução do colega nos inquéritos relacionados ao Banco Master e a uma fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As suspeitas surgiram no contexto de investigações que visam esclarecer possíveis irregularidades e condutas inadequadas de ministros do STF, incluindo André Mendonça, no âmbito de investigações que envolvem interesses financeiros e políticos. O caso ganhou maior destaque após Moraes apontar indícios de que Mendonça teria direcionado investigações contra ele próprio, além de questionar a legitimidade do ministro na condução de determinados procedimentos. Essa controvérsia reflete o momento de tensão dentro da própria Corte, que busca delimitar as competências e a autonomia de seus membros em investigações de alta complexidade.
A decisão de Fachin de separar o julgamento das suspeitas de Mendonça das investigações relacionadas a Moraes e ao banqueiro Daniel Vorcaro foi motivada pela necessidade de estabelecer limites claros para o objeto de análise do Plenário do STF. Assim, o caso envolvendo Mendonça será avaliado em uma sessão reservada às revelações feitas na Petição 16.662, divulgadas pelo próprio ministro André Mendonça. Essa separação visa garantir uma análise mais aprofundada e isonômica dos fatos, evitando que as investigações se misturem de forma a comprometer a imparcialidade do julgamento.
Um relatório elaborado pela Polícia Federal, a pedido de Moraes, trouxe detalhes que alimentam as suspeitas contra Mendonça. Segundo o documento, Moraes teria editado um contrato no valor de R$ 131 milhões envolvendo sua esposa, Viviani Barci, com o banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, o relatório aponta que Moraes foi consultado por Vorcaro sobre a possibilidade de deixar o país, dois dias antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro do ano passado. Outras informações revelam uma relação entre Vorcaro e o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, o que acrescenta complexidade às investigações e amplia o escopo das suspeitas.
Ainda há dúvidas entre os ministros do STF quanto ao conteúdo que será julgado na sessão de 15 de setembro, uma vez que o relatório apresentado por Mendonça não contém um pedido específico para o Plenário. Além disso, há uma solicitação de Paulo Gonet pela nulidade do relatório, o que reforça a controvérsia em torno do caso. Essa situação evidencia o grau de complexidade e a disputa jurídica que permeia as investigações e o julgamento.
Moraes, por sua vez, acusa André Mendonça de ter direcionado a investigação contra ele, além de alegar que o colega teria usurpado competências da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Moraes tentou incluir Mendonça no inquérito das fake news, iniciado em 2019, mas essa inclusão foi posteriormente revertida por Fachin, que entendeu não haver elementos suficientes para tal.
Para garantir uma análise adequada do tema, Fachin criou a Petição 16.704, cujo julgamento está marcado para o dia 23 de setembro. Segundo o presidente do STF, a separação dos processos visa assegurar uma delimitação clara do objeto de deliberação do Plenário, permitindo uma apreciação mais aprofundada das questões específicas de cada caso, sem prejuízo do exame posterior das demais petições relacionadas às investigações. Essa estratégia busca preservar a imparcialidade e a integridade do julgamento, diante da complexidade das investigações envolvendo ministros do Supremo e figuras do meio político e financeiro.















