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Taxistas relatam aumento da insegurança e conflitos com perueiros na Praça do Cardoso, em Belo Horizonte

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Taxistas que atuam na região da Praça do Cardoso, na área Centro-Sul de Belo Horizonte, têm denunciado um aumento na sensação de insegurança devido a conflitos com perueiros que atuam no mesmo ponto de parada. Segundo a categoria, motoristas clandestinos resistem à possibilidade de dividir o espaço de estacionamento com os táxis regulamentados, o que tem provocado tensões frequentes e episódios de violência.

O conflito mais recente resultou em uma briga física ocorrida nesta terça-feira, dia 1º, envolvendo um taxista e um perueiro. Imagens obtidas pela reportagem da Itatiaia mostram o momento em que a altercação acontece na praça, evidenciando a gravidade da situação. De acordo com relatos do taxista envolvido, ele chegou ao ponto e optou por não parar após perceber a presença do perueiro, que, ao perceber a sua chegada, desceu do veículo e atacou o profissional.

Em entrevista ao portal, o motorista de táxi explicou que, ao chegar ao local, viu o perueiro e decidiu não estacionar ali. Segundo ele, o perueiro então ligou o carro, desceu do veículo e jogou um objeto na traseira do táxi. “Ele pegou alguma coisa e jogou na minha traseira”, relatou. Após o ataque, o taxista tentou registrar a ocorrência policial, indo até a delegacia com dois policiais presentes.

Durante a tentativa de fazer o boletim de ocorrência, o motorista afirmou que foi agredido por uma chuta na perna por parte do perueiro, que também tentou intimidá-lo com uma chave de fenda, ameaçando furá-lo. “Eu não sabia se era uma faca ou o que era. Ele tirou um objeto cromado e falou que iria furar ele todo”, contou. Assustado, o taxista acelerou o veículo e saiu em fuga, sendo perseguido pelo agressor, que chutou a lateral do carro.

O episódio ganhou maior gravidade quando ambos perceberam a aproximação de uma viatura policial. Segundo o taxista, o perueiro foi detido após os policiais identificarem a chave de fenda que carregava, e a ameaça foi constatada pela equipe policial. O profissional também destacou o clima de medo que se instaurou entre os colegas de profissão na praça, muitos dos quais têm evitado trabalhar no ponto por receio de novas agressões.

“Tem muitos que não estão indo para lá de medo, de medo deles, porque todos eles estão ameaçando, e aonde vai parar isso? Até a hora que um furar o outro e matar o outro. Aí vai ser tarde demais, eu sou pai de família, eu preciso cuidar da minha família, e eu não sei se posso trabalhar mais”, afirmou o taxista.

Jomar Teixeira do Santos, que atua como taxista há 22 anos, também comentou sobre a situação. Ele explicou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ampliou a rota do serviço de táxi lotação na região, mas não estabeleceu um ponto fixo para o estacionamento, o que, na sua visão, poderia oferecer maior segurança aos profissionais. “Daria um amparo melhor para a gente, porque teríamos um lugar para parar lá, talvez até ficar livre das ameaças desse cidadão que faz esse transporte há algum tempo. A partir do momento que liberou essa extensão da rota do Táxi Lotação até a Praça do Cardoso, a gente passou a bater de frente com eles”, afirmou.

A Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte informou, por meio de nota oficial, que o trajeto de transporte por táxi lotação na região está operando em caráter experimental. A oficialização do itinerário e a instalação de sinalização dependem da publicação de uma portaria, atualmente em tramitação.

O diretor institucional do Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais, Carlos Roberto Luiz Fernandes, destacou que algumas reuniões já ocorreram com a Secretaria de Mobilidade, mas ainda não há uma definição formal sobre o ponto na Praça do Cardoso. Ele reforçou que, enquanto as negociações não avançam, o conflito entre o serviço regulamentado e o transporte clandestino persiste, colocando em risco a segurança dos profissionais e da população que depende do transporte público na região.

A situação evidencia a complexidade do conflito entre taxistas regulamentados e perueiros clandestinos na capital mineira, além de refletir a necessidade de ações concretas para garantir a segurança dos trabalhadores e a organização do transporte na cidade.

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