Um homem foi detido nesta sexta-feira (28), em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sob suspeita de assassinar o próprio irmão de forma brutal na residência onde ambos moravam. A prisão ocorreu após a divulgação de vídeos que registraram uma sessão de tortura contra a vítima, Alexis Aureliano Vieira, e que viralizaram em grupos de mensagens na região, chegando às mãos da Polícia Militar (PM). As imagens contribuíram para a rápida localização e captura do suspeito, que tentou enganar os policiais inicialmente.
Antes de ser localizado, o suspeito tentou manipular as forças de segurança. No dia 2 de agosto, ele acionou a polícia para relatar a morte do irmão, alegando que havia encontrado Alexis já sem vida na residência. Durante o depoimento, afirmou que a vítima era alcoólatra e que, por isso, frequentemente caía na rua e se envolvia em brigas, justificando possíveis sinais de violência no corpo do irmão. Entretanto, as investigações posteriores revelaram um cenário bem diferente.
A reviravolta no caso veio com a análise dos vídeos feitos pelo próprio suspeito, poucos dias antes do falecimento de Alexis. Nas gravações, é possível ver o momento em que o irmão é submetido a diversas formas de tortura. Em uma das cenas, Alexis, deitado no chão e encurralado, grita e implora para que o irmão pare, enquanto este avisa que a vítima passaria por horas de agressões. As imagens mostram Alexis lesionado em diferentes pontos do corpo, enquanto é intimidado e agredido de forma sistemática.
Em uma das gravações, o suspeito faz uma declaração de que estaria realizando “só o básico da tortura”. Em outra, a vítima é forçada a responder repetidamente quem “manda” na residência. Uma das cenas mais graves, obtida pela polícia, mostra Alexis implorando pelo fim das agressões e chamando pelo irmão de forma desesperada, demonstrando o grau de crueldade envolvido na violência.
A vítima foi encontrada morta no quintal da residência após o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi chamado por um homem que passava mal. Quando a equipe chegou ao local, constatou que Alexis já havia falecido, apresentando rigidez cadavérica e diversas escoriações pelo corpo, o que chamou a atenção dos peritos da Polícia Civil. As marcas de violência encontradas no corpo eram compatíveis com as agressões registradas nos vídeos, reforçando a hipótese de que as agressões ocorreram durante várias horas, em diferentes pontos próximos à residência e no interior do imóvel.
As investigações iniciais indicam que conflitos familiares relacionados à convivência entre os irmãos podem ter motivado o crime. No entanto, a Polícia Civil ainda busca esclarecer o que exatamente teria desencadeado a sequência de agressões e qual foi o período exato entre as últimas agressões e a morte de Alexis. As autoridades continuam diligências para coletar provas materiais, confrontar as imagens com os vestígios encontrados no corpo e na residência, além de esclarecer todas as circunstâncias do caso.
As gravações, consideradas peças-chave na investigação, estão sendo analisadas detalhadamente pelos investigadores, que buscam compreender a motivação do crime e as possíveis implicações de toda a sequência de violência registrada. O suspeito permanece à disposição da polícia, que prossegue com as apurações para determinar as responsabilidades e os fatores que levaram ao trágico desfecho.
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