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Delegado da Polícia Federal investigado por esquema de mineração ilegal teria planejado abrir estabelecimento de prostituição em Belo Horizonte, aponta relatório

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Um relatório final de investigação da Polícia Federal revelou que o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, atualmente sob apuração por envolvimento em um esquema de mineração ilegal, teria planejado a abertura de um estabelecimento em Belo Horizonte voltado à exploração de atividades de prostituição e jogos de azar. A apuração faz parte de um desdobramento da Operação Rejeito, que investiga crimes relacionados à exploração de direitos minerários e corrupção.

Segundo as informações contidas no documento, a empresária Ursula Paula Deroma, também indiciada na investigação, afirmou ter recebido do delegado uma proposta de participação societária e investimento em um projeto de estabelecimento de prostituição na capital mineira. Ursula relatou que Rodrigo esteve em seu escritório e apresentou a ideia de montar um “puteiro” na cidade, além de convidá-la a integrar a sociedade e aportar recursos no empreendimento.

A Polícia Federal confirmou que mensagens trocadas no celular de Rodrigo corroboram a versão de Ursula. Conversas por WhatsApp indicam que o delegado buscou locais que pudessem ser utilizados para a implementação do projeto, embora, até o momento, não haja evidências de que o estabelecimento tenha sido efetivamente criado ou colocado em funcionamento. Apesar das buscas realizadas, o projeto não avançou, e as dificuldades enfrentadas por Rodrigo, segundo as mensagens, teriam levado à desistência de prosseguir com a iniciativa.

O relatório da PF destaca que, apesar de o episódio de tentativa de instalação do estabelecimento de prostituição estar nas páginas finais do documento, não há elementos que demonstrem que as condutas criminosas relacionadas à exploração sexual de terceiros tenham sido efetivamente iniciadas. A investigação também levantou a possibilidade de rufianismo, crime relacionado à exploração da prostituição de outra pessoa, mas, devido à ausência de ações concretas, a Polícia Federal optou por não instaurar procedimento criminal específico para esse episódio.

Além do caso envolvendo o suposto estabelecimento de prostituição, a investigação resultou no indiciamento de dez pessoas por suspeitas de participação em uma organização criminosa dedicada à negociação, valorização e exploração de direitos minerários. Os investigados são acusados de crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução às investigações. A PF identificou que o grupo utilizava mecanismos como obtenção de licenças, autorizações ambientais e alvarás de pesquisa para valorizar direitos minerários antes de negociá-los.

Dentre os projetos destacados na investigação estão os de Apolo, localizado entre as cidades de Caeté e Santa Bárbara; Jeceaba, em Congonhas; e Bela Vista, em Bela Vista de Minas. O relatório aponta que direitos minerários relacionados ao Projeto Apolo foram transferidos de forma gratuita e posteriormente negociados, levantando suspeitas de irregularidades. Para acelerar a obtenção de licenças e autorizações, a PF suspeita que agentes públicos tenham recebido vantagens indevidas, incluindo pagamento de propina, como evidenciado por mensagens de Ursula que mencionam valores de R$ 7.500 e R$ 8 mil referentes a guias de manejo de fauna e alvarás da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A investigação também revela que empresas e indivíduos, formalmente responsáveis pelos negócios, atuariam como instrumentos para ocultar os verdadeiros responsáveis e movimentar recursos ilícitos. Rodrigo Teixeira, apontado como líder oculto e gestor de fato do esquema, teria participado de decisões estratégicas enquanto ocupava cargos de direção na Polícia Federal e na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Ursula, Marcos Arthur e Gilberto Horta também são citados como articuladores, responsáveis por tarefas operacionais, financeiras e por intermediar pagamentos de vantagens indevidas perante órgãos públicos.

A Polícia Federal ainda busca aprofundar as apurações sobre o pagamento de propinas e a movimentação de recursos ilícitos, uma vez que não foi possível identificar os responsáveis pelos valores mencionados nas mensagens. O espaço para manifestações dos indiciados permanece aberto, e as investigações continuam em andamento para esclarecer completamente o alcance das atividades ilícitas relacionadas ao esquema.

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