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Raposa inica com vitória com as credenciais de Larcamón

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Está oficialmente aberto o trabalho de Nicolás Larcamón no Cruzeiro. O técnico estreou com vitória por 2 a 1 sobre o Villa Nova, no Campeonato Mineiro, em duelo que deu algumas amostras do que o argentino pensa sobre esboço do time. Ao menos neste estágio inicial.

Foi o primeiro teste do treinador acompanhado pelo grande público, uma vez que o jogo-treino diante do Itabirito foi realizado na Toca da Raposa, sem imprensa e torcida. Partida que vale mais para analisar as ideias do técnico do que, de fato, a qualidade de atuação.

Larcamón teve dificuldades na montagem do time titular. Dois jogadores que começaram o duelo com o Itabirito não tiveram condições físicas de estrearem oficialmente. Lucas Romero segue trabalho de força muscular, enquanto Rafael Papagaio vai passar por cirurgia no braço.

Além dessas baixas recentes, o treinador ainda teve as ausências de Gabriel Veron, Filipe Machado, Mateus Vital, Ramiro, Rafael Bilu e Wesley por questões médicas, sendo que os quatro primeiros estão próximos de ficarem disponíveis.

Mas Larcamón surpreendeu na escalação do setor defensivo, onde não tinha desfalques. Deixou no banco Zé Ivaldo, que chegou com status de titular, e João Marcelo, que terminou bem 2023. Tinha também Lucas Oliveira e Ruan Santos como opções. Utilizou Palacios como zagueiro, ao lado de Neris, e Marlon completando a linha para fazer saída de bola com três jogadores.

Do meio para frente, os escolhidos para as vagas de Romero e Papagaio foram Japa e Arthur Gomes. Se começou o jogo-treino com dois centroavantes, optou por um time mais leve na abertura da temporada.

Defensivamente, Marlon virava lateral, e o Cruzeiro, com dois zagueiros, demonstrou dificuldades em relação à área. Além de pouco combate na frente dela, a partir dos volantes (principalmente no segundo tempo), as bolas cruzadas complicaram a vida dos zagueiros. Assim saíram os dois gols – um anulado -, com erros coletivos, mas também individuais, especialmente de Palacios e William.

No setor ofensivo, o time tentou explorar preferencialmente os lados de campo. Atuando com três peças de defesa no início da construção, teve os corredores ocupados por William, como ala pela direita, e pelos atacantes de velocidade. Muita movimentação e trocas de posições entre Arthur Gomes, Robert e Matheus Pereira. Um time que preza por aproximações e triangulações. Sempre com participação do camisa 10.

Matheus teve total liberdade de movimentação. Era (e será) o principal cabeça do time, por isso apareceu mais como um meia central, mas também fazendo tabelas pelos dois lados, principalmente no esquerdo. Foi por lá que infiltrou e deu passe para Dinenno marcar, assim como diante do Itabirito. Participativo, o camisa 10 está solto para procurar seus espaços.

Quem também se movimentou bastante em campo foi Juan Dinenno. O centroavante demonstrou presença de área no gol marcado, mas saiu bastante do seu “habitat” para buscar a bola, tabelar e ser mais participativo.

Coletivamente, o Cruzeiro deu indícios de que buscará uma marcação média/alta para dificultar o início da criação adversária. Dinenno, ao menos na estreia, raramente “assistiu” às saídas do Villa. Naturalmente, ainda precisa de ajustes coletivos para que essa pressão funcione, mas foi possível notar incentivo constante dos jogadores na busca pelos botes no campo ofensivo.

O Cruzeiro também passou a impressão inicial de ser um time mais vertical do que cadenciado. Sai de pé em pé, mas gira pouco entre goleiro, zagueiros e laterais. Atrai atenção nas saídas e busca explorar espaços deixados entre as linhas. A equipe teve dificuldades na execução, especialmente no segundo tempo, mas deixou claro que havia um mecanismo buscado.

Foram os primeiros 100 minutos com o novo treinador, após somente 20 dias de treinamento. O tempo para correções entre cada um dos jogos será ainda mais curto, a partir de então. Mas Larcamón também vai ganhar mais qualidade e quantidade para ajustar o coletivo. Não só pelos reforços que chegarão no decorrer da janela, mas pela recuperação de oito atletas que não estiveram disponíveis em Nova Lima.

A qualidade do jogo terá de ser gradativamente avaliada com o passar das rodadas. O Mineiro é laboratório e servirá para definições não só do time, mas também do grupo. Larcamón está correto em observar garotos, testar improvisações e alternar esquemas. Tudo isso constrói a convicção de jogo que diretoria e torcida esperam ver para Copa do Brasil, Brasileiro e Sul-Americana.