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CEO do Cruzeiro, Vittorio Medioli, deixa o cargo e sugeriu uma intervenção judicial na Raposa para “executar o que for preciso”.

Postado em 05/01/2020 11:21

Vittorio Medioli, CEO do Cruzeiro — Foto: Reprodução/TV Globo

O Cruzeiro amanheceu o domingo com uma decisão. O CEO do clube, o empresário Vitorio Medioli, anunciou que não continuará no cargo do clube mineiro. Ele, que é prefeito da cidade de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, disse que a lei não o permite exercer o cargo e sugeriu uma intervenção judicial na Raposa para “executar o que for preciso”.

O anúncio de Medioli foi realizado em sua coluna dominicial no jornal O Tempo, do qual é proprietário. Medioli disse que continuará ajudando o Cruzeiro, mas dentro das possibilidades que a lei permite.

O CEO do Cruzeiro será outro. Ficou esclarecido que o estatuto do Cruzeiro me impede de assumir. Aceitei durante 15 dias participar de uma tentativa de resgatar, que me permitiu conhecer a extensão do imbróglio azul e apresentar estratégias e medidas que o verdadeiro CEO, aquele legitimado, poderá usar.Enfim, não posso e não vou assumir, mas não sumir. Darei tudo que posso e a lei me permite – escreveu o empresário em sua coluna.

O prefeito de Betim ainda sugeriu que o clube passe a ter um interventor, amparado pela Justiça, para realizar as mudanças que o Cruzeiro precisa neste momento.

– Meu gesto poderia gerar mais instabilidade e problemas ao Cruzeiro. O Cruzeiro precisa de um interventor amparado pela Justiça e com autoridade para executar o que for preciso. Doa a quem doer. O Cruzeiro, já há longo tempo, está sob investigação da polícia e do Ministério Público. Um administrador (CEO) de uma “associação sem fins lucrativos” assume responsabilidades indefinidas, questionáveis, arrisca não apenas ser inócuo em seu esforço, como patético em seus propósitos de salvamento – escreveu ele.

Medioli assumiu a posição de CEO no Cruzeiro em 23 de dezembro. Neste período, foi o principal responsável por rever contratos dentro do clube mineiro, definir mudanças estruturais e de pessoal e também tentar negociar saídas de jogadores.

Conjunto Frankstein”

Foi a definição que agora o ex-CEO do Cruzeiro deu ao Estatuto do clube, que, segundo ele, atende a “interesses míudos, mesquinhos e de dominação de grupos”. Para ele, a reconstrução da Raposa passa necessariamente por um novo texto estatutário e pela transformação do Cruzeiro em clube-empresa.

– O estatuto do clube é um conjunto Frankenstein de regras que atendem interesses miúdos, mesquinhos e de dominação de grupos. Não atendem a grandeza e solidez de suas finalidades. Privilegia mais o incompetente que se preste a atender interesses inconfessáveis de um estreito grupo. A reconstrução do Cruzeiro passa inevitavelmente pela elaboração de um estatuto coerente e alinhado com a realidade. Melhor ainda se o Cruzeiro se transformasse em empresa, aderindo à lei das Sociedades Anônimas (SAs), sem perder a possibilidade de manutenção do Profut (Refis do futebol) e de isenções tributárias. Isso ocorreu na Europa, mas encontra resistência ferrenha e falta de coragem do governo para dar um basta à cartolagem.

Ainda não há definição de quem será o novo CEO do clube mineiro. Nesta segunda-feira, o conselho gestor deverá ter um dia agitado, já que o grupo de jogadores se reapresenta, com uma série de reuniões entre dirigentes, atletas e empresários para renegociar contratos, definir rescisões e saídas.

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