O apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, revelou que tem adotado uma postura mais cautelosa ao fazer comentários e piadas em seu programa de televisão, atendendo a um pedido da direção do SBT, liderada por Daniela Beyruti. Em entrevista ao podcast Papagaio Falante, Ratinho explicou que a orientação veio após conversas internas na emissora, com o objetivo de evitar novos processos judiciais e manter a estabilidade na carreira.
Segundo o apresentador, a orientação da presidente do SBT, Daniela Beyruti, foi clara ao solicitar que ele evitasse declarações que pudessem gerar controvérsias ou ações judiciais. “Eu tô procurando melhorar, atendendo a Daniela. Ela me pediu: ‘Evita, porque você vai levar muito processo’. Então, eu tô evitando, mas é muito difícil”, afirmou Ratinho. Apesar do esforço para moderação, ele reconhece a dificuldade de adaptar seu estilo de humor às mudanças culturais e sociais do Brasil atual.
Ratinho comentou que sente falta da liberdade que tinha no passado para fazer brincadeiras mais abertas em seu programa, destacando que a evolução das regras de convivência e o aumento da patrulha social dificultaram esse tipo de humor. Ele desabafou que, anteriormente, fazia piadas com personagens considerados estereotipados ou com pessoas que participavam de seu programa, brincadeiras que, atualmente, seriam consideradas impróprias ou até mesmo passíveis de punições. “Um cara que faz tudo na brincadeira, é difícil, você vai se tornando mais chato, não pode brincar com ninguém… Antes, aparecia uma pessoa lá, eu brincava com eles, hoje eu não faço mais. Tenho medo”, declarou.
Além das questões relacionadas ao humor, Ratinho demonstrou resistência ao uso de termos neutros ou inclusivos, como “todes”. Ele criticou a adoção de mudanças na Língua Portuguesa, defendendo a estrutura tradicional do idioma. “É uma bobagem esse negócio de ‘todes’. A Língua Portuguesa é uma das mais ricas do mundo e uma das mais difíceis, e agora querem criar outra língua? Eu, com 70 anos, vou falar ‘todes’? Todes o cacete, não sou obrigado, não vou falar. É difícil impor algo que você não aprendeu na escola”, afirmou.
O apresentador também fez uma avaliação crítica do clima social e cultural do Brasil, alegando que o país se tornou excessivamente patrulhado nos últimos anos. Ele comparou a liberdade de humor do passado com o cenário atual, afirmando que o Brasil, segundo ele, ficou mais “chato”. Ratinho citou os programas humorísticos clássicos, como Os Trapalhões, e afirmou que, na sociedade de hoje, piadas semelhantes poderiam resultar em prisão ou punições legais. “O Brasil era mais gostoso, agora tá muito chato. Eu vejo as piadas que Os Trapalhões faziam, hoje eles iriam presos”, concluiu.
A postura mais contida de Ratinho ocorre em um contexto de repercussão negativa de suas declarações anteriores. O apresentador foi criticado na internet por zombar do cantor Thiago Piquilo, ao afirmar que o artista tinha “cara de viado”. Além disso, ele responde a um processo judicial por acusações de transfobia feitas contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), o que reforça a necessidade de uma postura mais cautelosa por parte do comunicador diante do atual cenário social e jurídico.












