A cantora Julyana de Souza Pontes, conhecida artisticamente como Mulher Banana e Garota X, morreu ontem, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A artista foi encontrada morta em casa, no bairro Engenho Pequeno. A informação foi confirmada ao Splash pelo irmão da cantora. Em outro trecho da divulgação sobre sua trajetória, Julyana também é identificada como Julyana Barbosa.
A causa da morte ainda não foi esclarecida. Segundo as informações disponíveis, a família aguardava a realização da perícia para confirmar o que aconteceu. Na manhã de hoje, o corpo da artista permanecia no Instituto Médico Legal (IML).
A Polícia Civil do Rio de Janeiro foi procurada para comentar o caso. Até o momento descrito na matéria original, não havia retorno das autoridades. Novas informações sobre a investigação e sobre a causa da morte dependem da conclusão dos procedimentos periciais.
Artistas do funk lamentaram a morte
A morte de Mulher Banana provocou manifestações de artistas ligadas ao funk carioca. Tati Quebra Barraco lamentou a perda e destacou a importância de Julyana para o gênero musical. “Uma grande perda para o mundo do funk!”, escreveu a funkeira.
Na mesma publicação, Tati afirmou que a artista deixaria uma ausência entre colegas, familiares e fãs. “Nossa querida Mulher Banana nos deixou. Descanse em paz! Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos os fãs. Que Deus conforte o coração de todos neste momento difícil”, declarou.
MC Xuxú, que trabalhou com Julyana em mais de uma música, também publicou uma homenagem. A cantora descreveu a artista como “uma travesti que fez história” e ressaltou o papel desempenhado por ela em um período de pouca visibilidade para pessoas trans no cenário musical.
“[Julyana] abriu caminhos e ocupou espaços, mesmo em uma sociedade que ainda insiste em nos marginalizar. Sua irreverência, sua ousadia e sua existência fazem parte da história do funk e da resistência travesti brasileira. Que seu nome seja lembrado, respeitado e celebrado”, escreveu MC Xuxú.
Mulher Banana ganhou projeção com o Furacão 2000
Julyana se tornou conhecida no cenário musical durante os anos 2000, principalmente por sua ligação com a equipe Furacão 2000. O grupo teve papel importante na popularização do funk carioca e ajudou a impulsionar a carreira da cantora.
Foi nesse período que a artista ganhou notoriedade com o hit Mulher Banana, música que originou o principal nome pelo qual passou a ser reconhecida. Além de Mulher Banana, Julyana também utilizava o nome artístico Garota X.
A cantora foi uma das primeiras mulheres trans a conquistar visibilidade dentro do funk carioca. Sua presença representou um marco de representatividade LGBTQIA+ em um segmento musical que, historicamente, oferecia pouca exposição a artistas trans.
A trajetória de Julyana ficou associada à ocupação de espaços no funk e à afirmação de sua identidade em um ambiente marcado por barreiras e marginalização. Por isso, sua morte foi lembrada por outras artistas não apenas como a perda de uma cantora, mas também como o fim da trajetória de uma figura considerada pioneira na cena.
Artista também atuava na proteção animal
Fora dos palcos, Julyana mantinha uma relação próxima com os animais. A cantora cuidava de diversos gatos e mantinha um espaço descrito como um “santuário” dedicado à proteção deles.
A atuação com os animais fazia parte da rotina da artista e era uma dimensão importante de sua vida além da música. A família ainda aguardava a conclusão da perícia e a liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal.












