Durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino recomendou que o ministro Edson Fachin assistisse a um vídeo do humorista Fábio Porchat, em meio ao debate sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes. A recomendação ocorreu enquanto o tribunal discutia a possibilidade de abertura de apuração contra Moraes, uma decisão de grande repercussão no cenário político e judicial brasileiro.
O ministro Flávio Dino mencionou o vídeo ao fazer uma analogia com a rotina e o comportamento dos ministros da Corte, destacando que o conteúdo retratava de forma bem-humorada a sobrecarga enfrentada pelos integrantes do STF diante das crises e dos inúmeros processos sob sua responsabilidade. Dino afirmou que o vídeo, embora trate do jornalismo, tinha uma aplicação direta à rotina dos juízes, brincando que eles vivem situações semelhantes às retratadas na peça humorística.
Na ocasião, Dino comentou: “Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É muito bom, porque nós estamos parecidos. Cheguei atrasado porque estava decretando a prisão de gente, por causa da quantidade de petições, presidente. Mas é importante que o senhor veja o vídeo.” A fala reforça o tom de leveza adotado por Dino em um momento de alta tensão no tribunal, que está analisando questões delicadas relacionadas às investigações envolvendo membros do próprio STF.
O vídeo indicado por Dino foi produzido pelo humorista Fábio Porchat e apresenta uma sátira sobre a rotina exaustiva de jornalistas e profissionais do sistema de justiça. No conteúdo, Porchat aparece de pijama, na cama, interpretando um jornalista de política completamente exausto com o volume de notícias, vazamentos e decisões judiciais que precisa cobrir. O personagem implora por uma “trégua” nas ações fora do horário comercial, reclamando de que “ninguém aguenta mais quebra de sigilo às 11 da noite” e ironiza os plantões noturnos da imprensa, que muitas vezes cobrem os bastidores de investigações de alto impacto.
A peça satírica faz uma referência direta às reviravoltas frequentes nos bastidores do chamado “Caso Master” e às investigações envolvendo figuras próximas ao tribunal, incluindo vazamentos e despachos realizados em horários inusitados. A crítica implícita na sátira aponta para a rotina exaustiva e muitas vezes caótica enfrentada por jornalistas, advogados e juízes envolvidos em casos de alta complexidade e repercussão pública.
A recomendação de Dino e a exibição do vídeo ilustram uma tentativa de trazer um pouco de humor e reflexão ao ambiente do STF, que atualmente vive momentos de tensão e polarização. A iniciativa também evidencia a percepção de que o cotidiano do tribunal e de seus membros, muitas vezes marcado por pressões e sobrecarga de trabalho, pode ser similar ao retratado na sátira de Porchat, reforçando a necessidade de compreensão e equilíbrio em tempos de crise institucional.












